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domingo, 27 de maio de 2012

Boa Notícia ou Imprudência?

Anvisa registra remédio que pode prevenir infecção pelo HIV
25/5/2012 11:31:00

O remédio Truvada, que recebeu o aval da comissão consultora da agência sanitária dos Estados Unidos (FDA) para ser usado na prevenção de infecção pelo HIV, foi registrado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com isso, sua comercialização está autorizada no país.

No início do mês, uma comissão ligada ao FDA recomendou a indicação do uso da droga, uma combinação de tenofovir com emtricitabina, na prevenção da Aids. Se a recomendação for acatada pela a agência, pessoas não contaminadas teoricamente poderiam manter relações com soropositivos sem usar preservativo.

Isso não significa, porém, que a droga passará automaticamente a ser usada no Brasil para tratamento de pacientes com HIV ou indicada antes de relações sexuais desprotegidas com parceiros soropositivos ou com situação sorológica desconhecida.

O Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde afirmou que o registro da Anvisa não vai modificar, no momento, a estratégia brasileira de combate à doença. Embora alguns estudos mostrem que o remédio exerce um papel protetor, ainda não está claro para o departamento como isso seria aplicado em uma ação de saúde pública.

Fonte: Agência Estado / Prontuário de Notícias.

domingo, 18 de março de 2012

HIV: "Vacina Terapêutica"

Vacina anti-HIV é feita com células do próprio voluntário
1/3/2012 09:44:00

Cientistas belgas testaram uma nova "vacina terapêutica" contra o HIV em voluntários humanos. A novidade é que os voluntários foram vacinados com suas próprias células.

Os cientistas filtraram determinados glóbulos brancos do sangue dos participantes, "carregaram-nos" com células dendríticas de pacientes soropositivos, e reaplicaram-nas de volta nos voluntários.

O resultado mostrou que o sistema imunológico dos voluntários aumentou a capacidade de atacar e eliminar o HIV. Mas a vacina ainda não é capaz de curar a doença.

Pacientes infectados com HIV passaram a ter uma vida praticamente normal depois do desenvolvimento do chamado coquetel de drogas antirretrovirais.

Contudo, esses medicamentos não eliminam o vírus do corpo - se o paciente parar com a medicação, o HIV volta a atacar o organismo.

Os cientistas acreditam saber porque isso acontece: o problema são as células CD8, as "forças especiais" do nosso sistema imunológico, que não conseguem recrutar "soldados" suficientes, as células dendríticas, para combater o ataque.

As células dendríticas apresentam em seu exterior partes típicas do vírus a ser atacado.

Contudo, as células dendríticas humanas não são boas em coletar informações do HIV.

O que os cientistas belgas fizeram foi inserir as células dendríticas de pacientes soropositivos nas células de pacientes saudáveis, incluindo as instruções para montagem das proteínas do HIV - informações genéticas na forma de RNA mensageiro.

Uma vez no corpo, as células carregadas executam as instruções, passando a apresentar uma parte típica do HIV em sua superfície, o que ativa as células de defesa.

Os voluntários receberam uma pequena quantidade de suas próprias células dendríticas retrabalhadas, em quatro doses, com intervalos de quatro semanas.

Após cada vacinação, suas células CD8 passaram a reconhecer o HIV cada vez melhor - os testes foram feitos coletando amostras do sangue dos voluntários e submetendo-a ao HIV em tubos de ensaio.

A vacinação não mostrou qualquer efeito colateral para os voluntários.

Mas o HIV se mostra um inimigo difícil: ele continua sendo capaz de mudar suas proteínas rápido o suficiente para que alguns deles escapem das células retrabalhadas introduzidas pela vacina.

Fonte: Diário da Saúde / Prontuário de Saúde.

sábado, 3 de setembro de 2011

Estratégia Logística do HIV

Estudo revela como HIV foge de drogas
30/8/2011 10:05:00

HIV


O HIV está conseguindo escapar da ação de drogas antirretrovirais porque é capaz de passar diretamente de uma célula para outra. A conclusão é de um novo estudo do laboratório do biólogo David Baltimore, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 1975.

Realizando experimentos com culturas de células no Instituto de Tecnologia da Califórnia, o grupo do cientista explica por qual motivo o coquetel anti-Aids reduz o número de vírus nos soropositivos, mas não cura a infecção.

Em geral, uma célula infectada se rompe e libera HIVs soltos no plasma sanguíneo. Esses vírus vagam pelo sangue até encontrar outro linfócito T CD4+, a célula do sistema imune que o HIV ataca. É quando os vírus estão soltos que a droga age.

Os cientistas mostraram que uma parcela menor da transmissão ocorre diretamente, de célula para célula, quando dois linfócitos entram em contato no sangue.

É nesses casos que os antirretrovirais falham. A infecção célula a célula não é tão freqüente, mas, quando ocorre, a quantidade de vírus transferida é grande.

Explorando essa brecha de segurança, o vírus consegue sobreviver como um reservatório latente dentro das células, mesmo quando o sangue está repleto de antirretroviral.

De acordo com os cientistas, a descoberta é também uma má notícia para a criação de uma vacina terapêutica contra o vírus da AIDS.

Fonte: Reuters / Prontuário de Notícias

domingo, 17 de outubro de 2010

Portador de DST's tem oito vezes mais chance de contrair HIV, diz especialista
16/10/2010 16:25:00

Palestrando sobre DST's e Antiretrovirais para médicos e acadêmicos de medicina de Rondônia se reuiniram em mais um módulo do Curso de Educação Médica Continuada, do Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero), o infectologista amazonense Nelson Barbosa fez um alerta sobre os riscos das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST's) e recomendou o diagnóstico e o tratamento precoce como forma de evitar que as doenças atinjam uma parcela maior da população.

Segundo Barbosa, o portador de uma DST tem oito vezes mais chance de ser infectado pelo vírus HIV (AIDS). "A palestra foi pensada de forma que alerte para o risco eminente das DST's em relação a AIDS. Se o médico trabalha com o diagnóstico e com o tratamento precoce da DST, há uma grande chance de se evitar que as doenças atinjam um número maior da população, evitando ainda que o doente possa ser um veículo de infecção do HIV", explica.

Sobre a palestra, que foi direcionada principalmente a clínicos gerais, Barbosa diz que procurou trabalhar pouco as questões teóricas, mostrando mais casos práticos, "do dia-a-dia, do ambulatório, do pronto socorro e do consultório médico". A estratégia, segundo ele, é para que os participantes possam aplicar o raciocínio diagnóstico. "Muitas vezes, pelo raciocínio diagnóstico e pela história clínica do paciente, você consegue chegar mais perto do diagnóstico em vez de aplicar tratamentos que podem até mascarar o sintoma da doença, prejudicando mais ainda esse portador de DST".

Aos médicos, o infectologista chamou a atenção para a questão da infecção hospitalar. "No Amazonas tem três profissionais da saúde que se infectaram num acidente ocupacional com pacientes portadores do vírus HIV". Se ocorrer esse tipo de infecção, Barbosa aconselha que, no período de até uma hora, o médico deve procurar o serviço da coordenação estadual de DST e AIDS ou, no hospital onde ele trabalha a comissão de infecção hospitalar, para orientação sobre o que deve ser feito.

"Recomendamos as situações em que deve ser realizada a sorologia no paciente fonte, que ocasionou o acidente, porque, muitas vezes, esse paciente não tem como autorizar o teste. A medida é proibida, mas o MS (Ministério da Saúde) faculta ao médico realizar o teste nesses casos, porque é uma questão de saúde pública, ou seja, eu tenho que aplicar o antiretroviral no profissional de saúde em até uma hora após o acidente. E quando um parente do paciente chegar o médico deve explicar que foi uma situação de emergência, para que fique tudo esclarecido. Esses cuidados são pautados na ética médica".

Segundo Barbosa, a sorologia compulsória é uma questão polêmica, "não é permitida em lugar nenhum". "O MS só autoriza quando é caso de saúde pública e o paciente não pode responder (quando, por exemplo, está entubado, sedado ou no CTI. O acidente ocupacional é um desses casos de risco à saúde pública. Mas o paciente ou parente deve ser avisado sobre o procedimento logo que possível". De acordo com o infectologista, o Ministério da Saúde, várias vezes, entrou na Justiça para evitar que as Forças Armadas peçam a sorologia compulsória dos recrutas. "Então é proibida".

Nelson Barbosa atua em vários centros de saúde, inclusive na Fundação de Medicina Tropical de Manaus, e é professor preceptor no hospital 28 de Agosto.

Sobre a prevenção das DST's e da AIDS, Barbosa diz que só o uso correto da camisinha pode prevenir essas doenças.

Fonte : Revista Fator

domingo, 10 de outubro de 2010

Utilidade Pública: AIDS

Sete dúvidas sobre a "pílula do dia seguinte" da AIDS
10/10/2010 10:21:00

O Ministério da Saúde oficializou no dia 04 de outubro, uma política de saúde inédita no cenário da transmissão do vírus HIV, uma das principais causas de morte da população feminina em idade fértil e também a doença que a cada ano acomete mais mulheres.

Depois de um ano de discussão, o Departamento de DST, Aids e Hepatites virais – ligado ao Ministério – definiu que os 737 centros de referência em tratamento de doenças sexualmente transmissíveis existentes no País, a partir de agora, devem receber pessoas não contaminadas pelo vírus HIV e que tiveram relações sexuais inseguras (o preservativo estourou, por exemplo) para receber um tratamento medicamentoso preventivo, uma tentativa de coibir a transmissão da doença.

O mecanismo de ação é parecido com o da pílula de emergência para impedir a gravidez e, por isso, a técnica é chamada de "coquetel do dia seguinte" da AIDS. O procedimento consiste em oferecer, de graça, ao paciente - homem ou mulher - uma mistura de três medicamentos em até 72 horas após a relação sexual desprotegida. A mesma medicação deve ser tomada por 28 dias consecutivos, pode trazer efeitos colaterais graves e perde a eficácia se ingerida repetidas vezes.

Por isso, em entrevista ao Delas, o coordenador da proposta do Ministério da Saúde, o infectologista Ronaldo Hallal, sustenta que a camisinha permanece como forma mais segura e simples de prevenir o contágio pelo vírus HIV. A seguir, ele responde sete dúvidas sobre a "pílula do dia seguinte" da AIDS.

Como surgiu o "coquetel do dia seguinte" da AIDS?
Ronaldo Hallal: A ideia surge a partir do conhecimento sobre a prevenção da AIDS acumulado nos últimos anos. Os antirretrovirais (medicamentos oferecidos para combater o vírus HIV) são usados de forma preventiva há muitos anos no caso da transmissão vertical entre mães e filhos durante a gravidez. Outro emprego preventivo de medicamentos contra a AIDS é no caso de acidentes biológicos. Há mais de vinte anos profissionais de saúde que sofrem acidentes, têm a luva furada no trato com o paciente ou são expostos a materiais contaminados já fazem esse tipo de prevenção. Tendo como base esses modelos começaram estudos para que a técnica seja usada também em pessoas que tiveram relações sexuais desprotegidas.

Como funciona o coquetel do dia seguinte?
Hallal: As pesquisas mostram que a utilização dos antirretrovirais é mais eficiente nas primeiras duas horas após a relação sexual desprotegida. O alcance máximo da prevenção é em até 72 horas após o risco. Mais do que isto não há efeito nenhum. Os medicamentos devem ser usados por 28 dias consecutivos. É importante lembrar que os efeitos colaterais dessas drogas não são desprezíveis. Por isso, o preservativo (masculino e feminino) ainda é a técnica de prevenção mais segura e barata.

Quem poderá e quem não poderá receber este tipo de tratamento?
Hallal: Varia caso a caso. Existem 737 serviços especializados em tratar pessoas que vivem com HIV no País. Esta mesma rede servirá de referência para atuar nesta nova situação. Assim como acontece em casos de acidentes com profissionais de saúde ou atendimento de vítimas de violência sexual, deve ser feita uma avaliação de risco e benefício do coquetel preventivo. Esta avaliação é individual. Passadas 72 horas da relação sexual desprotegida, por exemplo, não há benefícios do uso. A exposição crônica (relações sexuais consecutivas sem prevenção) também não possibilita efeitos benéficos. Em práticas sexuais sem penetração, tipo sexo oral, não é indicado. Existe ainda uma série de outros critérios que são avaliados caso a caso, como por exemplo, se era sabiamente conhecido que o parceiro tinha HIV, entre outras circunstâncias.

Os locais de oferta do coquetel já estão definidos?
Hallal: Esta nova política de saúde é fruto de uma discussão ampla realizada desde o ano passado, que envolveu pessoas atuantes no campo social da AIDS, comitês técnicos, assessores do Ministério da Saúde, experts no assunto e especialistas das secretarias de saúde estaduais e municipais. Já há um caminho percorrido, mas é preciso haver adaptações e definições claras, sobre quais unidades vão oferecer o coquetel, acompanhadas de uma divulgação informativa sobre esta possibilidade. Mas esta definição será feita localmente. Cabe a cada município ou Estado definir.

Qual é o risco de utilizar muitas vezes o "coquetel do dia seguinte" da AIDS?
Hallal: Pode desencadear uma resistência aos antirretrovirais, sem contar os efeitos colaterais. Isso significa que, caso a pessoa contraia o vírus HIV no futuro, será muito mais difícil encontrar um tratamento que faça efeito. E o risco de contaminação é grande, pois a exposição ao risco é constante. Este impacto nas opções terapêuticas contra a AIDS é um grande problema. Quanto mais restrita for a possibilidade de medicamentos, menor a chance de haver um convívio tranqüilo com o vírus HIV.

A geração atual não viveu os tempos mais severos de AIDS (nos anos 80) e já nasceu com um tratamento medicamentoso eficaz de controle da doença. Houve uma banalização da AIDS? Se sim, como conter uma nova onda de banalização com a terapia preventiva?
Hallal: Existe mesmo um efeito paradoxal do controle da epidemia. Existe uma geração que não conviveu com os efeitos mais graves da AIDS. Mas a doença não deve ser banalizada. O tratamento tem efeitos adversos importantes. O desafio agora é estabelecer uma comunicação eficiente e fazer com que a mensagem correta chegue às pessoas. É só por meio de uma boa adesão das práticas de relações sexuais seguras que vamos evitar danos futuros de adquirir HIV.

Já há relatos de pessoas que, já predispostas a ter uma relação sexual sem camisinha, consomem antirretrovirais, misturados a ecstasy e medicamento para disfunção erétil antes de ir para a balada. Como coibir um uso inadequado do coquetel preventivo e até uma comercialização clandestina dele?
Hallal: Há um controle do Ministério da Saúde. Caso ocorram repetidas buscas por medicamentos da prevenção da AIDS, esta pessoa deve ser encaminhada para uma rede de saúde, deve passar por testes e esta procura repetida é considerada um critério de exclusão do acesso. Ou seja, ela não poderá continuar usando a rede para esse fim. O acesso universal ao tratamento antiaids, sem custos e sem entraves nos faz crer que a comercialização de antiretrovirais não é problema relevante. Mas precisaremos ter controle e ficar atentos às possíveis buscas repetidas. Se isso ocorrer, faremos alertas a todos os serviços de referência.

Fonte : Ascom Aids