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quinta-feira, 31 de março de 2016

Minhas Considerações: 40 Anos Depois

#SomosTodosBananas
#MinhaIdeologiaÉaHonestidade

Em 4 décadas já vi de tudo um pouco.
Nasci no ano em que a Ditadura civil-militar brasileira estava no auge.
Cresci, acreditando que o Brasil era o "país do futuro"; que estudar "dava futuro"; que, para conseguir o que quisesse, deveria trabalhar; que ser honesta era uma obrigação e não um mérito....
Pude apreciar grandes artistas: músicos, atores, atrizes, cantores, cantoras. Gente que parecia ter alma, que parecia desejar a Liberdade.
Os estudantes lutavam pela melhoria da Educação, demonstravam ter e ser a esperança de mudança do país.
Os pensadores não eram fanáticos-ideológicos. Havia esperança nas ideias e nos posicionamentos.
Tenho a sensação de ter passado muitos anos em coma, talvez após diversas abduções, realizadas por alienígenas. Vai saber!
Hoje, "despertando", observo que aqueles pensadores, antes combatentes da liberdade, os anti-ditadura e pela democracia, são defensores de outro tipo de ditadura e de um modelo bem peculiar de democracia.
Os artistas seguem a mesma cartilha dos pensadores. Falam o que lhes interessa sem compromisso com a moralidade e a legalidade. Interessados em incentivos públicos para suas medíocres produções "artísticas" não podem se posicionar contra quem lhes financia.
Mais triste é ver o papel limitado, empobrecido e mercenário dos estudantes brasileiros. Hoje, são meros capachos do governo.
O que será que aconteceu? Eles mudaram ou a minha ilusão morreu?
Pensadores, artistas e estudantes deveriam sempre, por definição, serem oposição ao instituído, ao engessamento, às instituições. Deveriam ser o contraponto, a vida que flui, que oxigena e alimenta a vida social.
Que o melhor aconteça!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Minhas Considerações: Capitalismo X Materialismo

Essa proposta de "investimento em Will" é o espírito do Capitalismo (cliquem no link).
O Capitalismo não é o responsável pelas mazelas do mundo. Por favor, não joguem pedras por enquanto.
O Materialismo é que é o responsável pelas mazelas do mundo.
As pessoas que exploram pessoas e tudo o que existe são responsáveis pelas mazelas do mundo.
O dinheiro é uma forma de produzir mais riqueza sim. Porém, riqueza para todos.
Quem faz as pessoas se tornarem gananciosas? É o Capitalismo ou apego ao dinheiro e aos bens materiais?
O problema não é a existência de pobres. Por que "pobreza" se tornou sinônimo de desassistência, miséria, indigência? Por que a pobreza passou a justificar crimes hediondos?
O problema reside na exploração da pobreza por parte de elites políticas, econômicas e sociais. E isso não é uma prerrogativa do Capitalismo. As elites populistas e demagógicas estão em todos os regimes políticos.
As desigualdades serão reduzidas a partir do momento em que os humanos entenderem que o dinheiro é para produzir riquezas para todos e não para aprisionar; não é para ser acumulado e guardado, mas ser multiplicado e repartido.
O Materialismo é que torna o Capitalismo cruel e predatório. O apego às coisas torna as pessoas frias e sem empatia, sejam elas detentoras de bens materiais ou não, passando a justificar as maiores atrocidades.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Minhas Considerações: Redução da Maioridade Penal


"Direita" e "Esquerda": Faces da mesma moeda
#SomosTodosBananas
PARA MINIMIZAR O PROBLEMA DA DELINQUÊNCIA JUVENIL, SABEMOS QUE É URGENTE INVESTIR EM EDUCAÇÃO AMPLA E VARIADA, ALÉM DE INCENTIVAR A INSERÇÃO PROFISSIONAL DOS JOVENS.
No entanto, sabe qual é o maior problema? Ninguém é responsável por coisa alguma nesse país. Os pais não são responsáveis, os educadores não são responsáveis, os políticos não responsáveis...
Vamos parar de brigar entre nós. A desorganização da população e a separação em grupos antagônicos ("direita" e "esquerda", "pobres X elite") é tudo que os representantes do Estado brasileiro, em especial os governos vigentes, querem. Existem causas em comum que não podem ser reduzidas a discussões banais do "sou contra" X "sou a favor".
A redução da maioridade penal é mais um meio utilizado pelos políticos (da "direita" e da "esquerda") para desviar a atenção da população e agradarem os seus partidários, mas sem mexer na causa do problema.
A violência está sendo fabricada pelos políticos que nada fazem além de nos roubar. Como podemos cobrar desses criminosos de colarinho-branco se estamos amedrontados com a bagunça que eles produzem, incentivam e legitimam?
Ao Brasil, não faltam recursos para investir em Educação, Saúde, Segurança e todos os outros direitos garantidos na Constituição Federal. Ao Brasil, sobram ladrões que se travestem de políticos de "direita" e de "esquerda" para nos roubar e nos manter sob o império do terror.
Se esses marginais de colarinho-branco, que entendem que o voto deve ser obrigatório e que vivem de nossos suor e sangue, trabalhassem em prol da sociedade (em especial em favor dos mais pobres) não haveria o debate sobre redução da maioridade penal. Esse debate não ocorreria pelo simples fato de que as desigualdades seriam minimizadas, a população cumpriria seus deveres e exigiria dos políticos seus direitos, recebendo retorno positivo pelos impostos pagos.
Reduzir a maioridade por reduzir apenas, de fato, nada resolve: nem educa os delinquentes nem minimiza a violência. No entanto, é difícil acreditar que o ECA não seja apenas uma fantasia de alguém "bem-intencionado" semelhante à Lei Maria da Penha. Algo precisar feito, pois, do jeito que está, não dá mais.
A proposta de reduzir a maioridade pela gravidade do crime é a que me parece mais racional. O crime é que define o criminoso. Só há assassinato se alguém mata. É necessário também acabar com os eufemismos legislativos contidos no ECA. Assassinato resulta em morte? Sim. Então, não é possível continuar com a fantasia da terminologia "ato infracional análogo a homicídio".  Até entendo que a filigrana da terminologia seja mantida para ocorrências de menor potencial ofensivo ou que apenas causem dano material sem atentado à vida.
Somente os políticos lucram com esses debates inócuos do "sou contra" e do "sou a favor". Nesse terreno fértil de insanidade, das "torcidas organizadas de futebol", apenas imperam a discórdia e a falta de bom senso.
As pessoas estão sem rumo e desesperadas. Terreno fértil para ideias tenebrosas. Assim temos os pedidos de intervenção/golpe militar e outras bobagens que em nada fazem avançar o debate.
A população deve se mobilizar pela democracia, deve deixar de lado a ilusão de que aparecerá um político "salvador da pátria" que nos redimirá.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Minhas Considerações: INDIGNAÇÃO


Lula não sabia que seus comparsas eram bandidos corruptos mensaleiros. E ficou indignado.
Dona Dilma não sabia que era espionada nem que o Brasil espionava. Demonstrou muito dó dos amigos mensaleiros encarcerados, mas não tem um mínimo de dó da população que a elegeu e que morre nas filas do serviço público de saúde. E ficou indignada com tudo isso.
Os partidários do PSBD e do DEM não sabiam que seus comparsas eram bandidos corruptos mensaleiros. E ficaram indignados.
O deputado Perrela não sabia que seu helicóptero fazia frete de coisa ilícita. E ficou indignado.
Os mensaleiros petistas entendem que sofrem perseguição política porque estão sendo punidos por seus crimes. Eles acreditam que têm todo o direito de cometer crimes, não serem punidos e receberem privilégios, pois têm uma "história de lutas sociais e militância política". E ficaram indignados.
Os criminosos menores de idade não cometem crimes, cometem infrações. Assim, assassinatos, estupros, roubos, cometidos por eles são chamados pela ridícula legislação de "atos análogos". Pobreza e adversidades não podem ser justificativa para crimes bárbaros contra a vida. Quando perguntados por que mataram? Acham graça e se sentem indignados.
Homens adultos violentam de todas as formas mulheres e crianças. A Lei "Maria da Penha" e o ECA são farsas que apenas protegem os algozes. No entanto, são os violentadores que ficam indignados.
Bêbados e drogados ficam doidões, pegam seus carros velozes e furiosos, atropelam, ferem, matam. Muitos fogem sem ao menos prestar socorro às vítimas. Outros, quando pegos, recusam-se a assoprar o "bafômetro", pois "não podem fazer provas contra si mesmos". Podem matar e mutilar, mas não querem reparar os seus erros. E ficam indignados. A erroneamente denominada "lei seca" é uma farsa, não educa, não obriga a reparação do criminoso apenas incentiva o livre exercício da morte.
Pessoas maltratam, torturam e matam animais por prazer e/ou falta de humanidade. Mas, se são pegos, e, apesar de não serem levados à reparação do erro, se sentem indignados.
Os eleitores de políticos bandidos repetem seus votos a cada nova eleição. Mas não se sentem responsáveis pelo efeito disso. Eles sabem que votam em marginais perigosos, que colocam suas vidas, a de seus familiares e de toda a população em risco. Mas não se importam e ficam indignados.
No Brasil, matar, roubar, corromper, lesar, estuprar, destruir, são verbos naturalizados. "Sempre foi assim" é o que mais escutamos nas conversas nas ruas. Ninguém é chamado a reparar seus erros.
O Estado brasileiro é o maior criminoso, pois é composto por pessoas dissociadas da realidade, sem compromisso com a garantia de direitos constitucionais, é o primeiro a matar de fome, de sede, de dor. São pessoas preocupadas apenas com a garantia de seus privilégios e benefícios.
Antes, era "pão e circo para o povo". Hoje, não precisa mais de pão, pois o circo por mais bizarro que seja (quanto mais bizarro melhor) já satisfaz a massa nem um pouco crítica, mas extremamente servil.
Quanto a mim, nem sei porque perdi tempo escrevendo tudo isso. Não adianta mesmo, não é?
 
Sempre foi assim!

domingo, 25 de agosto de 2013

Minhas Considerações:Programa Mais Médicos, Mais Mentiras

Um bando de "politizados de boteco" não para de exaltar a grandeza dos médicos cubanos que dizem que não trabalham por dinheiro, mas por amor. Adoram falar que a "burguesia" racista está sofrendo com a vinda de médicos cubanos, negros, que vão atender a população "carente". Sempre me pergunto o que é "burguesia" nos dias de hoje e por que pobre é sempre "população carente"?

Fico quase comovida com tanta bobagem dos "politizados", cujo maior orgulho é não assistir a Rede Globo. Na minha época isso tinha outro nome.

A realidade é que a burguesia racista está cagando e andando para os médicos cubanos, para a saúde pública, para os pobres desassistidos

Acorda! Discurso chato e inócuo.

Tanta democracia e respeito aos pretos e pobres: Por que os médicos cubanos não podem receber integralmente o salário pago pelo governo brasileiro? Por que o tio Fidel decide quanto eles vão receber?

Trabalhar sem receber é escravidão. Qual é a diferença se for médico ou faxineiro? Ou seria rufianismo mesmo? Ambas as práticas são crime no Brasil.

Por que os governos brasileiro e cubano podem desrespeitar a legislação trabalhista vigente no Brasil? Democracia? Ou a culpa é do Obama. Por que tudo que é merda relacionada aos desmandos arbitrários de Cuba é culpa do embargo dos EUA.

Aos "politizados de botequim", a "burguesia" tem dinheiro para pagar médico particular e não é pelo plano de saúde. Vai para o Albert Einstein, Sírio-Libanês, não usa o SUS. As pessoas precisam entender que o SUS é nosso, é público e precisa ser respeitado. Pagamos pelo SUS. Não falta dinheiro, o que falta é gestão e controle dos desvios de recursos financeiros. A Saúde Pública é maior do que a Medicina. Saúde Pública implica em saneamento básico e garantia dos direitos previstos na Constituição Federal. A vinda de médicos estrangeiros não vai melhorar a formação dos médicos brasileiros, não vai resolver o sucateamento nem a roubalheira no setor público de saúde. É tudo cortina de fumaça para o tempo passar e garantir as eleições.

DAS REIVINDICAÇÕES POPULARES QUE SE DESENROLAM DESDE JUNHO/2013, O QUE O GOVERNO DA DONA DILMA COLOCOU EM PRÁTICA?

NADA, ABSOLUTAMENTE NADA!

A REFORMA POLÍTCA FOI ENGAVETADA E A ROUBALHEIRA CONTINUA.
NENHUM MENSALEIRO FOI PARA CADEIA OU SEQUER DEVOLVEU O QUE ROUBOU.

A SAÚDE E A EDUCAÇÃO PÚBLICAS CONTINUAM ABANDONADAS.

VIVA A DEMOCRACIA À BRASILEIRA! Ela fede à Ditadura CorruPTa.

sábado, 5 de maio de 2012

Minhas Considerações: Uso de Drogas

É fácil culpar a substância, mas assumir os erros e repará-los é que são elas...

Por que o problema é a substância, seja lícita ou ilícita? Quem consome é que não tem controle sobre suas ações, e acaba culpando a substância por tudo de bom ou mau que lhe acontece.

Qual seria a solução se já sabemos que há substâncias que usadas sem critério causam danos à saúde física, psíquica e social das pessoas? Proibir? Liberar geral?

A única solução é Educação.

Educação para a vida real. Educação para que as pessoas entendam que um prazer momentâneo pode gerar dissabores por muito tempo.

Educação para que as pessoas sejam responsáveis por seus atos.

Não é a substância que mata. É o mau uso e o abuso que matam. É a dose que torna algo remédio ou veneno.

Por que o atropelador alcoolizado ou sob efeito de qualquer outra substância não recebe punição por seu ato? Porque se entende que o efeito da substância se sobrepõe ao ato do indivíduo.

Beber, cheirar, fumar são direitos de cada indivíduo. O problema é que, quando algo sai do controle - e a tendência é essa, pois, geralmente o uso é abusivo - o usuário não é responsabilizado.

Tratamento para os que precisam (e querem), mas, se houve dano a outra pessoa, entendo que esse deve ser reparado.

O usuário não pode ser colocado como coitado. Ele é responsável pelo que faz. Se tem problemas, pois que se trate, assuma e repare seus erros.

"Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências" (Pablo Neruda).

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Minhas Considerações: Bonde de Santa Tereza

Tragédia Mais que Anunciada

Parece que os administradores públicos não conseguem aprender com a história. Ao que vemos a população também tem memória curta, porque continua votando nesses mesmos incompetentes de sempre.

O caso dos bondes é a conhecida repetição de outros tantos descasos com a população e o estado do Rio de Janeiro. É um misto de incompetência gerencial, falta de investimentos (não disse falta de verba), desrespeito à vida e crença de que "comigo não vai acontecer".

Fotos antigas mostram que o bonde sempre foi transporte de massa. Sempre lotados, mas atendiam (bem ou mal) às necessidades da população daquela época. Com o progresso, deixou de ser o principal transporte, mas não deixou de atender uma considerável parcela da população da Cidade do Rio. Passou também a ser meio de transporte para turistas, tornando-se atração turística.

Outras tragédias foram evitadas pela perícia de motorneiros, outras não. Essa, a mais recente (lamento não poder dizer que é a última), ocorrida em 27/08/2011, matou 6 pessoas e feriu outras 27. Desculpas esfarrapadas foram dadas pelos administradores públicos, quiseram culpar o motorneiro e os passageiros pela superlotação. Dias depois, um morador do bairro filmou a utilização irregular de bondes reformados, "cheirando a novo", por parte de hotéis do bairro de Santa Tereza. O morador denuncia que foi impedido de ingressar no transporte público, pago com os impostos de todos nós. O que dizer de tudo isso?

Quer os administradores públicos gostem ou não, o bonde de Santa Tereza é transporte de massa, que também atende aos turistas. Não é a privatização do Serviço Público que vai trazer benefícios à população. Mesmo privatizado, o serviço de transportes sempre será uma concessão, podendo (e devendo) ser gerenciado pelo Estado. É urgente a necessidade de investimentos, independentemente de se visar a Copa, Olimpíadas ou qualquer outro megaevento lucrativo para determinados grupos. A população merece respeito.

Não podemos perder a esperança de que dias melhores virão, porque é a única coisa que a omissão do poder público falta nos tirar.

domingo, 3 de outubro de 2010

Minhas Considerações: Certo ou Errado

Right or Wrong?

O que é certo e o que é errado? Será que perdemos a capacidade de distingui-los? O que está acontecendo com as pessoas? Às vezes tenho a sensação de estar vivendo em um mundo paralelo, que fui abduzida por alienígenas e fui parar em outra dimensão. Acho que nem Alice, tendo despencado no País das Maravilhas, nem a Dorothy, levada pelo redemoinho até OZ, ficaram tão desorientadas como eu fico atualmente diante de tantas coisas estranhas e bizarras que o ser humano tem sido capaz de realizar.

Até os nem tão religiosos estão dizendo que estamos no “fim dos tempos”, “está tudo na Bíblia, é o Apocalipse”! Não sei se chegamos ao final dos tempos, como querem alguns acreditar. O que sei é que estamos cada vez mais nos afastando da Civilização e nos retornando à Barbárie. Às vezes fico pensando se já conseguimos sair da barbárie...

Não sou daquelas pessoas otimistas, mas também não me considero pessimista, não quero colocar ninguém para baixo. Considero-me apenas realista. Procuro pesar prós e contras, nada mais. Como coloquei em um post desses aí, o pensamento é a única coisa que nos diferencia de nossos irmãos animais. Mas, a atual conjuntura mundial está dando medo!

É tanta gente praticando o mal por aí. É tanta gente cometendo atos ilícitos e saindo ilesa; outras comentem o ilícito, não se veem como agentes do delito e exigem seus direitos com veemência quando são contrariadas. Coisa de louco!

Esses que fazem coisas erradas e ilegais justificam dizendo que “o erro vem de cima”. Se até os políticos, magistrados e clérigos cometem seus pequenos delitos (nem tão pequenos assim), porque não cometê-los também? A meu ver, a resposta é simples: pelo simples fato de que são delitos, porque são coisas ilegais e imorais.

Alguém que não paga o IPVA, sai com seu veículo, é flagrado em uma blitz pela Polícia e paga propina, provavelmente, não se vê como corrupto. Agora, se essa mesma pessoa sabe de algum ato desonesto de um político, dirá que o Brasil não tem jeito, pois no país só tem corruptos. Pergunto: qual é a diferença de se oferecer propina para o policial não reter o carro e o grande golpe do político influente?

Apenas o valor da propina! Ambos são atos de corrupção, são delitos. Acredito que, se a gente começar a observar os pequenos delitos, que parecem inocentes, cometidos todos os dias, teremos a noção de que somos responsáveis por tudo que acontece ao nosso redor. Avançar o sinal, furar a fila, oferecer propina, usar o cinto de segurança só porque dá multa, usar drogas recreativamente, entre outras coisas, são coisas que somente são questionadas quando nos atingem.

Enquanto não entendermos que fazemos parte do mesmo universo, que somos responsáveis pelos nossos atos, que devemos respeitar o próximo como a nós mesmos, ficará muito difícil falar em Civilização de fato. Uma gota sozinha pode parecer inofensiva, mas pode ser o que falta para inundar uma cidade.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Minhas Considerações: Condomínio

Essa é mais uma daquelas histórias surreais que parecem que só acontecem comigo. Alguém merece reunião de condomínio? Acho que só eu pareço pouco confortável nesse circo sem lona.

Risos, gracejos, galhofas. Os presentes parecem não estar preocupados com os problemas do condomínio. Só pensam em destruir uns aos outros e não se dão conta que, quando o vizinho é prejudicado por outro, o prejuízo é da coletividade. Vamos ver no que dá essa comédia triste.

Em linhas gerais, a razão para essa reunião em questão é o fato de o condomínio estar sendo depenado por uma empresa administradora, devido à má administração interna (síndico). Essa história de síndico espertalhão é, provavelmente, mais antiga que andar para frente.

Acredito que, se tem gente que se aproveita, é porque a maioria se omite, deixando tudo nas mãos de outros. Sempre com desculpas esfarrapadas como “eu não tenho tempo”, “reunião de condomínio não resolve nada, porque as pessoas só pensam em brigar” e outras lorotas. Não vou negar que reuniões dessa natureza são muito desgastantes. Mas, não participar é muito pior.

Parece difícil fazer as pessoas entenderem que vida em condomínio é necessariamente vida coletiva. Temos as “panelinhas” que geralmente não são, como eu poderia dizer, para o bem coletivo. Na maior parte das vezes, para não dizer em 100% das vezes, as “panelinhas” têm objetivos claros: maquiar contas, aprovar coisas que apenas beneficiarão os seus componentes, denegrir a imagem de alguém, entre outras coisas menos nobres.

O pior mesmo é quando as pessoas que não são parte das “panelinhas” resolvem apóia-las somente porque conhecem ou são afeiçoadas aos seus integrantes. Aí é que a situação fica mais difícil. Por que como convencer alguém de que o seu objeto de afeto não é uma pessoa muito confiável ou honesta? Tarefa difícil, até mesmo impossível. Mas o que eu acho mesmo é que essas pessoas têm o rabo preso e por isso não querem se comprometer ficando contrárias aos “donos do pedaço”.

A meu ver, as reuniões de condomínio são o espaço perfeito para estagiários de Psicologia e Sociologia aprenderem sobre relações sociais e patologias grupais. São verdadeiras aulas de (baixa) política. Nelas a gente aprende tudo o que não se deve fazer em matéria de trato social. Frequentemente fica a impressão de que os presentes parecem querer a derrota de seu vizinho. O vizinho nunca é visto como alguém que mora no mesmo lugar, que merece respeito e que também paga as contas do condomínio. Um exemplo disso é quando um morador defende um investimento no condomínio. Se o morador em tela for afeto da “panelinha”, a sua ideia será ouvida, considerada e até aplaudida. Agora, se o morador for um desafeto do grupo dominante, esse coitado estará fadado a falar para as paredes, ainda que a sua proposta traga beneficio para a coletividade.

Campo de batalha, a reunião de condomínio nem sempre tem como objetivo o bem-estar coletivo. As pessoas comparecem somente para brigar mesmo. Nada acrescentam de positivo. Escolhem um lado e seguem cegas de ódio contra o inimigo. Acontece que o suposto inimigo é outro morador.

Não gosto dessas reuniões, mas entendo que elas não devem ser campos de batalha. O embate deve ser ideias e não de rancores e animosidades. No frigir dos ovos, o que importa se os vizinhos gostam ou não gostam de mim? O que deveria importar é se as ideias trazidas para o debate são, ou não, válidas ou benéficas para a coletividade.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Minhas Considerações: Táxi

Essa é fruto de conversas sobre a escalada da violência, a repressão da administração pública ao comércio irregular na cidade e as últimas notícias sobre a podridão na política nacional. À época (11/04/2009), três vezes por semana, era submetida a sessões de fisioterapia, em homenagem ao meu amado joelho esquerdo. Por isso, era e ainda sou obrigada a “passear” de táxi e, vez por outra, me deparava (e ainda me deparo) com figuras, digamos assim pitorescas, que abrilhantam o dia com comentários por vezes interessantes e por outras de extrema falta de discernimento e inteligência. Nesse dia não foi diferente.

Como de costume, entrava com dificuldade no veículo (o joelho ainda doía muito), me ajeitava no banco traseiro e colocava o cinto de segurança. Em seguida, repetia a mesma ladainha do itinerário até em casa: “nós vamos pra tal lugar, só que nós vamos fazer um caminho alternativo. A gente segue pela Avenida Q, no final a gente dobra à direita na Warwick Avenue, segue pelo Batalhão, depois direita na 5th Avenue e esquerda na Büchstrasse e já estamos quase em casa”. Nada mais chato que ficar repetindo isso. Dou graças a Deus quando encontro um motorista conhecido que já conhece o caminho.

Pois bem, voltando ao assunto que me trouxe aqui. Como havia falado, a viagem havia começado com a informação do itinerário. Seguimos viagem e o ilustre motorista teceu comentários sobre o tempo; nada mais natural, era um típico dia de outono no Rio de Janeiro, meio chuvoso, com muitas nuvens brancas e espessas enfeitando o céu, num jogo de esconde-esconde com o belo azul que apresenta nesta época do ano. Enquanto comentários sobre o tempo se seguem: “vai chover, não vai chover” (fico impressionada como conseguimos tornar esse tipo de conversa algo fascinante), eis que o motorista, tomado de certa indignação, passa a falar das operações que a prefeitura vem realizando para combater o comércio ilegal pela cidade, o chamado “Choque de Ordem”.

Falava ele sobre a retirada dos camelôs de vários pontos da cidade. Questionava a validade de tal ação, pois considerava que isso aumentaria a marginalidade. Resumia seu pensamento: “agora é que os assaltos vão aumentar. Em vez de deixar o pessoal trabalhar. É tudo pai de família”! Como se ser pai de família fosse salvo conduto para cometer irregularidades. Interessante que o nosso amigo não parou para pensar no que estava falando. Ao ouvir tamanha asneira, pensei comigo que a vida da maioria das pessoas é apenas definida como “sim” e “não”, “positivo” e “negativo”, parecendo não haver nuances, ou é muito bom ou é muito ruim. Fui obrigada a abandonar o meu silêncio para intervir.

Demonstrando insatisfação, comecei apontando que nem todos são “pais de família” como ele apregoava, que as ações tinham um objetivo mais amplo, muitos desses “trabalhadores” vendem coisas roubadas e irregulares. Embora não fosse adepta do prefeito (Pobre Rio de Janeiro), por um lado, achava as ações corretas em certa medida, pois pareciam estar organizando o espaço público, liberando as calçadas para os pedestres, fossem idosos, deficientes, com dificuldades de mobilidade, etc.; e por outro discordava da forma como tratava camelôs que vendiam suas produções caseiras, fossem roupas ou outros tipos de manufaturas e artesanatos, até os vendedores de frutas e alimentos dentro das regras de higiene.

E concluí dizendo que com esse pensamento ficaria fácil justificar tudo: “Se não tenho emprego vou ser camelô; se não posso ser camelô, vou assaltar. Assim fica fácil, todo mundo que perder o emprego vai ser camelô ou assaltante”. Expliquei que a proposta do administrador público parecia boa, pois, segundo ela, o camelô seria recadastrado e inserido em centros comerciais construídos pelo poder público. Sendo que os que não conseguissem se inserir nesses locais, receberiam assistência para que se qualificassem profissionalmente. Acrescentei que a idéia era boa, mas que não sabia se ela seria executada.

Nosso amigo, após ouvir a minha explanação, como num passe de mágica, concordou com o que eu falei não se dando o menor trabalho de pensar, se o que eu estava dizendo, fazia sentido ou algo parecido. Impressionante a capacidade das pessoas em não questionar o que lhes é apresentado. Fico chateada com esse comportamento. Parece ser mais fácil aceitar o pacote como chega. O problema é quando se abre o dito cujo. Pelo fato de não termos questionado sobre o que poderia haver dentro dele, podemos ser surpreendidos de forma bastante negativa. Dependendo do que seja, o prejuízo pode ser bem grande.

Parar para pensar, é uma capacidade que o ser humano poderia exercer com mais freqüência. Às vezes tenho a impressão que as pessoas acham que vai doer se pararem para pensar, ou que vão perder tempo. Pela preguiça ou pelo medo, acabam repetindo os mesmos erros por anos a fio, o que por fim se reflete em suas vidas e na vida pública, ao repetir o apoio eleitoral a candidatos de índole duvidosa.

Parece óbvio que o problema também reside na má educação ou na falta de educação adequada para formar seres humanos cidadãos, conscientes da coletividade e não apenas preocupados com o seu próprio umbigo. Insisto, não é educação de ler e escrever, é educação de ler, escrever, conhecer, criar, respeitar, ir além do óbvio, de amar, de gostar de saber mais e produzir coisas positivas e benéficas com isso.

Sabe que no final das contas o cara tem razão? Acho que vou virar camelô ou assaltante. Melhor ainda, me candidatarei a algum cargo político; se bem que é quase a mesma coisa, apenas com uma vantagem: não preciso temer a Polícia.