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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

ELEIÇÕES 2014 - Coerência e Consciência

#SomosTodosBananas
Após a divulgação da nota do PSOL sobre não apoiar nenhuma das candidaturas à Presidência da República (PSDB X PT), muita discussão está rolando solta na rede.
Aliado a isso, os representantes mais conhecidos do partido se posicionaram individualmente sobre como votariam. Marcelo Freixo já declarou voto na dona Dilma.
A polêmica cresce, pois muita gente acha que o PSOL deveria apoiar o PT, porque acreditam que a "esquerda" deveria se unir para não deixar a "direita" vencer. Muitos estão ofendidos com o posicionamento do partido.
A meu ver, a posição do PSOL é coerente com o discurso que professa desde sua fundação.
Coerência. Poucos entendem que não apoiar as candidaturas apresentadas não significa "neutralidade", até porque ninguém é neutro.
Toda escolha é um ato político, que pode ser coerente com o discurso ou não.
Discurso sem prática é falácia, é jogar para a torcida, é o eterno FLA X FLU político. Sempre quem perde é o Brasil.
Eu percebo que essa polarização "esquerda" X "direita" não cabe mais no Brasil, pois não é mais possível ver diferenças entre os dois lados (corruptos, fascistas, desonestos, mentirosos, chantagistas, pois tudo vale para se manter no poder). Conforme pudemos observar, o PT se dizia "esquerda" até alcançar a Presidência da República. Depois, tornou-se aliado dos mais fascistas e canalhas representantes da tão combatida "direita". Eles eram melhor na oposição.
Entendo que, para a maioria da população, pouco importa se quem governa é da "direita" ou da "esquerda", não importa a ideologia. E, de fato, isso não deveria importar.
Por outro lado, as manifestações de junho de 2013, apareceram de outra forma nas urnas. Impressiona o número de pessoas que anulou, se absteve e votou em branco (38.797.280 votos).
Cada um deve assumir a sua posição individual. O PSOL foi coerente com esse posicionamento de não apoiar nenhuma das candidaturas e indicar para que os partidários não votem no Aécio. Que cada um assuma um posicionamento. O eleitor precisa mostrar maturidade. Se quiser votar na Dilma, que vote. Se quiser, votar nulo ou em branco, que vote. O voto deve ser consciente, só não pode ser de cabresto. Afinal, estamos exercitando a democracia ou não?
O PSOL demonstra coerência entre discurso e prática.
O PSOL me representa.
Ambos projetos políticos (PSDB e PT) são falaciosos e, por isso, não me representam.
Votarei 50 novamente. Em outras palavras, meu VOTO É NULO! E consciente.

domingo, 2 de setembro de 2012

Eleições 2012, Liberdade de Expressão e Babacas

Se expresso alguma opinião, somente posso fazê-lo pautada em algum autor consagrado. Caso contrário, aparecerá algum babaca me acusando de radical, neoliberal, "de direita" e coisas do gênero.

Já fui da academia. Achei que apenas lá eu deveria ter de citar o autor para que meu pensamento tivesse valor. Para quem não sabe como funciona a academia, a coisa é mais ou menos assim: não pense muito por conta própria, tente achar alguma fonte que se pareça com o seu pensamento.

O fato de eu não apoiar determinado modo de viver e pensar dos outros não significa que concordo com o pensamento oposto àquele. Eu explico.

Se não concordo cegamente com as convicções da dita esquerda ou da dita direita (aqui apenas tratarei como "canhotos" e "destros", pois, a meu ver, são farinha do mesmo saco, vinho da mesma pipa), vai ter sempre algum babaca dizendo que sou neoliberal ou "de direita" seja lá o que isso signifique.

Para alguns babacas canhotos, admiradores de Fidel, Chávez, Lula, Dilma e todo tipo de populista supostamente revolucionário, o fato de eu criticar as atrocidades cometidas por eles me faz uma neoliberal.

Por que devo bater palmas para o Fidel quando ele não passa de um ditador decadente? Um babaca me disse que houve avanços em Cuba e que antes da Revolução as coisas eram piores. Putz, entendi!

Então, por que antes era pior, devo entender que, pelo fato de Cuba ter avançado em alguns aspectos sociais e apesar de Fidel ter se tornado um ditador, ter feito do governo um cabide empregos para familiares e partidários e se aproveitar do poder para impedir a livre expressão da população, bem como perseguir os opositores, Cuba é um paraíso e Fidel é um santo. Ah, entendi!

Porque discordo dessa lógica, o mesmo babaca disse que eu era neoliberal, que usava o discurso da direita, o discurso do Estado mínimo. O pior é que o babaca nem me deu a oportunidade de debate, ele me deletou dos seus contatos do Facebook (diga-se de passagem, eu gostei muito de não mais fazer parte dos contatos de um boçal como ele). Babaca e covarde. O babaca falou que o post era dele e que, se eu quisesse, eu abrisse um post meu. Há coisa mais babaca que publicar uma coisa e só querer que escrevam comentários concordando?

Não questiono os avanços sociais em Cuba. Mas isso não era o objetivo da Revolución? Ou o objetivo era trocar o ditador? “Melhor mesmo é ser ferrado por um ditador da nossa classe, do povo.” É a mesma história do “rouba, mas faz”, “Ele é ladrão, mas é meu amigo”.

Esclareço que o fato de não em considerar "destra" ou "canhota" não me faz uma "ambidestra" (centrista). Apenas entendo que há lutas legítimas e acima de tudo JUSTAS, que merecem investimento. Política e eleição não são jogos onde uns ganham e outros perdem. Na política e nas eleições, o eleitor deveria ter mais consciência de seu voto, pois não é só a sua vida que está em jogo, é a vida de toda a sociedade. Quando a JUSTIÇA SOCIAL perde, TODOS perdem.

Promessas esfarrapadas de políticos que estão aí há séculos deveriam ser consideradas com muita cautela pelo eleitor.

Por que há figuras que se perpetuam no cenário político brasileiro? Porque a população, em certa medida, se acostumou com isso. Tem sempre um infeliz que vai dizer: "Ele rouba, mas faz". Faz o quê, infeliz? Rouba, te ferra e me ferra junto!

Dirão os intelectuais: "falta educação à população que é carente". Carente é o cacete! O termo mais adequado é "população desassistida pelo poder público". O termo é longo, mas é o mais adequado para definir uma população paga altíssimos impostos, mas não recebe nenhum investimento do poder público como retorno e continua votando nos mesmos bandidos de sempre. Pior, acha que é favor quando algum safado joga um "pó-de-pedra" por cima da lama e do esgoto que correm a céu aberto pela rua onde moram ou dão o “Bolsa-Família” (eu chamo de esmola estatal ou oficial).

Será que é somente a escola, a educação formal (precarizada por todos os governos destros e canhotos) que forma uma população mais politizada? Entendo que é apenas um dos espaços de politização.

Faz tempo que a Medicina e o Estado tiraram das famílias esse aspecto formador, promotor de valores e princípios. Se a família não dá conta, manda para o médico ou para a escola; não podemos nos esquecer dos psicólogos também.

Por que as famílias não conversam mais? Por que a vizinhança se tornou a ameaça em potencial? Há uma série de teorias que explicam isso. A mudança dos papéis sociais dos gêneros, as novas tecnologias, a globalização e tantos outros problemas de pesquisas. É inegável que, para analisar essas transformações, é preciso considerar o contexto socio-histórico. Mais que disso, é necessário fazer algo com os resultados das análises. Sair do discurso e implementar práticas transformadoras de fato. Do adianta identificar o problema, mas não propor soluções práticas? A academia, a Universidade, tem papel primordial nisso, pois lá se produz conhecimento (ou deveria produzir).

A Universidade deve ser o espaço da excelência, do mérito, da produção de conhecimento com vistas à melhoria das condições de vida da população. Infelizmente, não é isso que temos visto. A Universidade brasileira tem sido entendida pelos governos destros e canhotos, como espaço que deve atender ao mercado e/ou como moeda de troca política (caso das cotas raciais ou da vergonha). Falar em raça em pleno século XXI, só no Brasil, a vanguarda do atraso. Ainda bem que eu passei no vestibular e concluí o curso superior sem ter de passar por essa vergonha.

Sobre as cotas, ficam algumas perguntas: Os que se consideram negros são pobres? A categoria dos pobres engloba os que se consideram negros? A categoria dos pobres engloba os que se consideram brancos? A categoria dos pobres engloba os indígenas? No Brasil, é possível afirmar que há brancos e negros? Como é feita essa classificação?

No frigir dos ovos, acabamos voltando para o ponto de partida. Será que posso expressar minhas ideias e opiniões sem ter que ancorá-los em autores consagrados?

Entendo que o pensamento deve ser livre, bem como sua expressão. A sua construção se dá no cotidiano, na escola, no trabalho, em toda parte. É no convívio, no embate das ideias.

Democracia é mais que “ter o direito de votar”, conforme propaganda falaciosa do TSE. Democracia é igualdade de direitos, é a expressão máxima da justiça social. Se o Brasil fosse uma democracia de fato, o voto não seria obrigatório, pois, se fosse apenas um direito não poderia ser imposto a quem quer que seja.

PENSEM BEM ANTES VOTAR!

Seu ato trará consequências para sua vida, da sua família e da sociedade como um todo.

Converse com sua família, com seus amigos e vizinhos. Pensem sobre a sua realidade local, o que gostaria de ver melhorar na vida do bairro, da cidade em que moram.

Vote com o propósito de fazer aquilo que você gostaria que fosse feito por você.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

E a Festa Continua...


Uma vez o ex-presidente João Figueiredo (já falecido, pois nenhum mal é eterno!) disse que pobre tinha que comer osso e que ele não conseguiria sobreviver com o salário mínimo. Parece que nada mudou e até piorou e muito, pois o nosso povão continua sendo levado no bico, agora, pelos "comunistas de butique". Antes com os milicos havia a ilusão de que as coisas não melhoravam porque era uma Ditadura (das mais ferozes, diga-se de passagem). Mas, e agora? Será que o povão não entendeu que político é bicho matreiro, que não pode ser deixado sem vigilância?


Um pouco de possível...

Não basta votar e deixar pra lá. Muitos nem se lembram em quem votaram nas eleições de 2010. Não dá para achar que a responsabilidade é só dos "políticos", nem achar que o povo é coitado. Será que não sabemos mais o que é certo ou errado? Quem elegeu Sarney, Renan, Lula (nesse eu votei e já fiz mea culpa), Collor, Dilma, Tiririca, Romário e tantas outras sumidades? O Congresso, as Câmaras e Assembleias Legislativas são o reflexo da Sociedade.

Não é preciso ser intelectual para saber que as coisas estão muito erradas. Não temos educação de qualidade para todos, mas, ao invés de lutarmos pela melhoria da escola pública para todos, queremos cotas de vergonha. Não temos saúde para todos, mas quem tem plano de saúde pouco se importa ou começa a se importar quando o seu plano não atende às suas necessidades.

Os políticos (sempre os mesmos) aumentam seus próprios salários e agrados, e o que fazemos? Reclamamos (com inveja?) por não estarmos lá, metendo a mão também. Se fosse o contrário, não votaríamos nesses mesmos canalhas e sim participaríamos mais da verdadeira política que é feita no cotidiano. Por isso, defendo o fim do voto obrigatório (http://www.votoobrigatorionao.com.br/). Enquanto isso, o melhor mesmo é comemorar a escalação da seleção brasileira de futebol. Me poupem!

sábado, 6 de novembro de 2010

Mais Uma de Cinto de Segurança

Parece piada, mas não é. Essa semana, a Vida se superou em testar a minha paciência. Conforme já mencionei anteriormente, ando de táxi desde um “acidente” de trânsito que lesionou gravemente o meu joelho esquerdo (Joe). Dificuldade momentânea causada pela impudência de um infeliz, apressado e incompetente motorista de táxi. E é essa dificuldade que ainda me obriga a andar de táxi com freqüência.

Vínhamos, eu e minha mãe, pela rua procurando um táxi para voltar para casa. Saíamos da clínica onde fazemos hidroterapia. Como de costume e pelo fato de termos nossas dificuldades de mobilidade, aguardávamos que passasse um veículo alto e confortável. Fizemos sinal, o motorista parou e adentramos o veículo. Automaticamente ao entrar no veículo, viajando no banco da frente ou detrás, eu sempre busco o cinto de segurança. Puxei-o para ajustá-lo e, para minha (desagradável) surpresa, o cinto não deslizava facilmente. Ao olhar para o local em que o cinto fica preso na lateral do carro, observei que havia uma amarração, muito bem feita, diga-se de passagem, que me impedia de prendê-lo adequadamente.

Dirigi-me ao motorista, questionando se tinha virado moda prender o cinto daquela forma; eu já havia pegado outros táxis com esse, digamos, dispositivo no cinto de segurança. O motorista indignado começou a reclamar, dizendo que eu não precisava usar o cinto no banco detrás. “– Mas, a senhora não precisa usar cinto no banco detrás”. Retruquei: “– Como não? Talvez outra pessoa não precise, mas sou eu quem está viajando aqui. O cinto não é para ser usado”? Ele responde: “– Não. Só precisa usar cinto no banco da frente”. Insisti, continuando a puxar o cinto: “– Como? Só no banco da frente? Eu pego táxi quase todos os dias, há pelo menos 3 anos, e sempre uso o cinto”. O motorista visivelmente chateado respondeu que estava na praça há mais de 20 anos e que ninguém jamais havia reclamado disso. E como se eu estivesse matando a mãe dele, reage: “– Não faz isso não dona, a senhora vai desarrumar tudo aí e vou ter que arrumar tudo de novo. Se a senhora quer usar, então tudo bem, pode usar”.

Naqueles nanossegundos que se passaram entre a barbaridade ouvida, o processamento cerebral e a tomada de atitude, fiquei com muita raiva do condenado. Para o meu bem e o dele, aproveitei que o carro não havia andado muito e tinha ficado retido no sinal, e decidi descer do carro. Fiquei tão chateada com aquela criatura desorientada, mal informada, abespinhada e sem noção, que não anotei os dados sobre o veículo para denunciá-lo a quem de direito. Agora eu só entro no táxi perguntando se o cinto traseiro está funcionando, pois, caso contrário, não embarco.

Nesses anos de existência, eu ainda não tinha ouvido tanta asneira em tão poucos minutos. Como é possível passar pela cabeça de alguém que o cinto de segurança não pode ser usado? Em outra oportunidade, já havia partilhado uma conversa sobre o uso ou não de cinto de segurança atrelado ao recebimento de multas. Mas dessa vez a coisa se apresentou mais complexa. Não estávamos falando de não gostar de usar o cinto e ser obrigado pelas sanções legais. Estou falando da proibição que o motorista fez a minha vontade de usar o cinto para minha proteção. A que ponto nós chegamos!

Uma coisa é a pessoa, com suas convicções (por mais absurdas que sejam), acreditar que o cinto deve ser usado para não receber multas e não para estar menos vulnerável a sofrer danos causados por uma batida e/ou capotagem. Outra é alguém, deliberadamente, proibir que o passageiro use o cinto de segurança para que uma amarração feita, para comprometer o funcionamento do cinto, seja desmontada.

Na primeira situação, o ignorante apresenta alguma explicação para a sua estupidez. Ele explica que não gosta de usar o cinto, mas o faz pelo fato de correr o risco de ser multado, de sofrer as sanções previstas no Código de Trânsito Nacional. É individual, é só sua. Embora nada justifique abrir mão de uma proteção, que não é infalível, mas é comprovadamente válida em determinadas ocasiões, com essa explicação, o ignorante não te proíbe de fazer o que é seguro e correto. Ele não cerceia o seu direito de decidir se quer ou não usar o cinto.

Na situação que relatei, o ignorante foi muito além. Ele não só acha que é permitido andar sem o cinto no banco detrás e isso não dá multa – por que se ele achasse me obrigaria a usar mesmo que eu não quisesse, só para que ele não sofresse as sanções –, o camarada acha que não é necessário. Por achar que é permitido, que não dá multa e que não é necessário usar o cinto, a criatura me impede e proíbe de usar o equipamento de segurança porque acha que eu estou supostamente desarrumando o seu carro. Isso é ou não é fascinante?

O que importa é o seguinte:

1. Cinto de segurança é para ser usado sim, no banco da frente e no detrás, havendo ou não sanções legais.

2. Em 2010 foi regulamentada a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança no banco detrás. Sendo assim, os incautos ignorantes que se sentem desconfortáveis com o uso do cinto, mas usam por causa da multa, deverão zelar pelo uso do equipamento no banco detrás também.

3. Gostando ou não de usar o cinto, nenhuma pessoa pode proibir ou impedir que outra faça uso do equipamento de segurança.

4. Se para você é ainda é estranho usar o cinto e mais estranho ainda é saber que alguém quer usá-lo, pare um pouco para pensar se você está sendo razoável, procure maiores informações sobre os benefícios do uso e verifique quantas vidas já foram salvas pelo uso adequado desse equipamento.

5. Não devemos fazer as coisas (como, por exemplo, seguir as leis e regras), porque, se não o fizermos, seremos punidos. Devemos Acredito mesmo no valor do pensamento e da reflexão, na avaliação do que está sendo exigido e no entendimento do que é correto a ser feito. Quando entendemos que a norma é válida – tem motivo de existir –, a aceitamos porque temos consciência de que evitaremos prejuízos para nós mesmos e a coletividade, porque estamos contribuindo para um mundo melhor, e mais, estamos em paz por estarmos fazendo o que é correto. O que deve nos mover é a Consciência e não o Medo.