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sábado, 22 de agosto de 2015

Minhas Considerações: "Conectados" ou Mal-educados?

PRECISAMOS ESTAR "CONECTADOS" TODO O TEMPO OU SOMOS APENAS MAL-EDUCADOS?
 
Nos dias de hoje, as pessoas vivem conectadas aos seus aparelhos de celular e não às pessoas.
Não há nada mais desagradável que estar presente e ser descartado apenas porque a outra pessoa acha mais interessante atender o celular ou algum aplicativo que transmite incessantemente mensagens imbecis de pessoas muito imbecis. Fora o fato de ser um comportamento de tremendo desrespeito e má educação.
Tem uns trouxas que adoram registrar tudo que fazem.
Todos precisam saber que o debiloide estava comendo e/ou defecando. Haja selfie!
No entanto, quantos desses sem-noção viveram de verdade o momento, sentindo o vento no rosto, o calor do sol, ouviu a música no show, saborearam o alimento servido, aproveitaram a companhia e fizeram um comentário sobre o filme assistido? Será que conseguem contar o enredo do filme, cantar a canção?
Por que as pessoas estão perdendo o sentido entre "público" e "privado"?
Por que todos devem saber o que todos fazem?
Fruto da má educação para a vida, esse modo de subjetivação já está patologizado. Na verdade, é mais uma variação das compulsões tão exploradas pela Psicanálise e Psiquiatria.
O que deveria servir para conectar pessoas, serve para alienar. Não adianta culpar a tecnologia.
Muito triste.
Assistam o vídeo que mostra como é ser ignorado pelo mundo eternamente "conectado".
 
Fonte do vídeo: www.equilibriovida.com

domingo, 2 de setembro de 2012

Eleições 2012, Liberdade de Expressão e Babacas

Se expresso alguma opinião, somente posso fazê-lo pautada em algum autor consagrado. Caso contrário, aparecerá algum babaca me acusando de radical, neoliberal, "de direita" e coisas do gênero.

Já fui da academia. Achei que apenas lá eu deveria ter de citar o autor para que meu pensamento tivesse valor. Para quem não sabe como funciona a academia, a coisa é mais ou menos assim: não pense muito por conta própria, tente achar alguma fonte que se pareça com o seu pensamento.

O fato de eu não apoiar determinado modo de viver e pensar dos outros não significa que concordo com o pensamento oposto àquele. Eu explico.

Se não concordo cegamente com as convicções da dita esquerda ou da dita direita (aqui apenas tratarei como "canhotos" e "destros", pois, a meu ver, são farinha do mesmo saco, vinho da mesma pipa), vai ter sempre algum babaca dizendo que sou neoliberal ou "de direita" seja lá o que isso signifique.

Para alguns babacas canhotos, admiradores de Fidel, Chávez, Lula, Dilma e todo tipo de populista supostamente revolucionário, o fato de eu criticar as atrocidades cometidas por eles me faz uma neoliberal.

Por que devo bater palmas para o Fidel quando ele não passa de um ditador decadente? Um babaca me disse que houve avanços em Cuba e que antes da Revolução as coisas eram piores. Putz, entendi!

Então, por que antes era pior, devo entender que, pelo fato de Cuba ter avançado em alguns aspectos sociais e apesar de Fidel ter se tornado um ditador, ter feito do governo um cabide empregos para familiares e partidários e se aproveitar do poder para impedir a livre expressão da população, bem como perseguir os opositores, Cuba é um paraíso e Fidel é um santo. Ah, entendi!

Porque discordo dessa lógica, o mesmo babaca disse que eu era neoliberal, que usava o discurso da direita, o discurso do Estado mínimo. O pior é que o babaca nem me deu a oportunidade de debate, ele me deletou dos seus contatos do Facebook (diga-se de passagem, eu gostei muito de não mais fazer parte dos contatos de um boçal como ele). Babaca e covarde. O babaca falou que o post era dele e que, se eu quisesse, eu abrisse um post meu. Há coisa mais babaca que publicar uma coisa e só querer que escrevam comentários concordando?

Não questiono os avanços sociais em Cuba. Mas isso não era o objetivo da Revolución? Ou o objetivo era trocar o ditador? “Melhor mesmo é ser ferrado por um ditador da nossa classe, do povo.” É a mesma história do “rouba, mas faz”, “Ele é ladrão, mas é meu amigo”.

Esclareço que o fato de não em considerar "destra" ou "canhota" não me faz uma "ambidestra" (centrista). Apenas entendo que há lutas legítimas e acima de tudo JUSTAS, que merecem investimento. Política e eleição não são jogos onde uns ganham e outros perdem. Na política e nas eleições, o eleitor deveria ter mais consciência de seu voto, pois não é só a sua vida que está em jogo, é a vida de toda a sociedade. Quando a JUSTIÇA SOCIAL perde, TODOS perdem.

Promessas esfarrapadas de políticos que estão aí há séculos deveriam ser consideradas com muita cautela pelo eleitor.

Por que há figuras que se perpetuam no cenário político brasileiro? Porque a população, em certa medida, se acostumou com isso. Tem sempre um infeliz que vai dizer: "Ele rouba, mas faz". Faz o quê, infeliz? Rouba, te ferra e me ferra junto!

Dirão os intelectuais: "falta educação à população que é carente". Carente é o cacete! O termo mais adequado é "população desassistida pelo poder público". O termo é longo, mas é o mais adequado para definir uma população paga altíssimos impostos, mas não recebe nenhum investimento do poder público como retorno e continua votando nos mesmos bandidos de sempre. Pior, acha que é favor quando algum safado joga um "pó-de-pedra" por cima da lama e do esgoto que correm a céu aberto pela rua onde moram ou dão o “Bolsa-Família” (eu chamo de esmola estatal ou oficial).

Será que é somente a escola, a educação formal (precarizada por todos os governos destros e canhotos) que forma uma população mais politizada? Entendo que é apenas um dos espaços de politização.

Faz tempo que a Medicina e o Estado tiraram das famílias esse aspecto formador, promotor de valores e princípios. Se a família não dá conta, manda para o médico ou para a escola; não podemos nos esquecer dos psicólogos também.

Por que as famílias não conversam mais? Por que a vizinhança se tornou a ameaça em potencial? Há uma série de teorias que explicam isso. A mudança dos papéis sociais dos gêneros, as novas tecnologias, a globalização e tantos outros problemas de pesquisas. É inegável que, para analisar essas transformações, é preciso considerar o contexto socio-histórico. Mais que disso, é necessário fazer algo com os resultados das análises. Sair do discurso e implementar práticas transformadoras de fato. Do adianta identificar o problema, mas não propor soluções práticas? A academia, a Universidade, tem papel primordial nisso, pois lá se produz conhecimento (ou deveria produzir).

A Universidade deve ser o espaço da excelência, do mérito, da produção de conhecimento com vistas à melhoria das condições de vida da população. Infelizmente, não é isso que temos visto. A Universidade brasileira tem sido entendida pelos governos destros e canhotos, como espaço que deve atender ao mercado e/ou como moeda de troca política (caso das cotas raciais ou da vergonha). Falar em raça em pleno século XXI, só no Brasil, a vanguarda do atraso. Ainda bem que eu passei no vestibular e concluí o curso superior sem ter de passar por essa vergonha.

Sobre as cotas, ficam algumas perguntas: Os que se consideram negros são pobres? A categoria dos pobres engloba os que se consideram negros? A categoria dos pobres engloba os que se consideram brancos? A categoria dos pobres engloba os indígenas? No Brasil, é possível afirmar que há brancos e negros? Como é feita essa classificação?

No frigir dos ovos, acabamos voltando para o ponto de partida. Será que posso expressar minhas ideias e opiniões sem ter que ancorá-los em autores consagrados?

Entendo que o pensamento deve ser livre, bem como sua expressão. A sua construção se dá no cotidiano, na escola, no trabalho, em toda parte. É no convívio, no embate das ideias.

Democracia é mais que “ter o direito de votar”, conforme propaganda falaciosa do TSE. Democracia é igualdade de direitos, é a expressão máxima da justiça social. Se o Brasil fosse uma democracia de fato, o voto não seria obrigatório, pois, se fosse apenas um direito não poderia ser imposto a quem quer que seja.

PENSEM BEM ANTES VOTAR!

Seu ato trará consequências para sua vida, da sua família e da sociedade como um todo.

Converse com sua família, com seus amigos e vizinhos. Pensem sobre a sua realidade local, o que gostaria de ver melhorar na vida do bairro, da cidade em que moram.

Vote com o propósito de fazer aquilo que você gostaria que fosse feito por você.

sábado, 5 de maio de 2012

Minhas Considerações: Uso de Drogas

É fácil culpar a substância, mas assumir os erros e repará-los é que são elas...

Por que o problema é a substância, seja lícita ou ilícita? Quem consome é que não tem controle sobre suas ações, e acaba culpando a substância por tudo de bom ou mau que lhe acontece.

Qual seria a solução se já sabemos que há substâncias que usadas sem critério causam danos à saúde física, psíquica e social das pessoas? Proibir? Liberar geral?

A única solução é Educação.

Educação para a vida real. Educação para que as pessoas entendam que um prazer momentâneo pode gerar dissabores por muito tempo.

Educação para que as pessoas sejam responsáveis por seus atos.

Não é a substância que mata. É o mau uso e o abuso que matam. É a dose que torna algo remédio ou veneno.

Por que o atropelador alcoolizado ou sob efeito de qualquer outra substância não recebe punição por seu ato? Porque se entende que o efeito da substância se sobrepõe ao ato do indivíduo.

Beber, cheirar, fumar são direitos de cada indivíduo. O problema é que, quando algo sai do controle - e a tendência é essa, pois, geralmente o uso é abusivo - o usuário não é responsabilizado.

Tratamento para os que precisam (e querem), mas, se houve dano a outra pessoa, entendo que esse deve ser reparado.

O usuário não pode ser colocado como coitado. Ele é responsável pelo que faz. Se tem problemas, pois que se trate, assuma e repare seus erros.

"Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências" (Pablo Neruda).

sábado, 11 de junho de 2011

Analfabeto se Forma na Escola Pública

O considerado “Kit-gay” foi duramente criticado e vetado pela presidente com a desculpa de que não faremos “propaganda de opções sexuais”. Agora, o “Kit-analfabeto”, elaborado pelo MEC (Ministério do Energúmeno Cabotino)*, recebe até elogios dos considerados “especialistas”, que tratam essa excrescência do “nós pega o peixe” como sendo diversidade. Vamos agora fazer propaganda do analfabetismo?

Ensinar em escolas públicas a escrever e a falar errado é um desrespeito com a população. É reforçar a ideia de que pobre não tem o direito de conhecer o seu idioma. A quem interessa que a maior parte da população continue analfabeta?

Enquanto o Poder Público não respeitar a Constituição Federal e democratizar a Educação, o Brasil continuará sendo atrasado, desigual e injusto.

Uma coisa é respeitar o discurso popular, suas ideias, práticas, costumes e tradições. Isso enriquece a Sociedade como um todo. Outra bem diferente é incentivar o analfabetismo dentro das escolas públicas.

É com essa lógica do “deixa falar e escrever errado porque é popular” – discurso fascista, mas com ar de democrático e inclusivo –, que os defensores das cotas da vergonha se sustentam. O que esses farsantes não apontam é que a Educação, há décadas, vem sendo desmontada, com a precarização das escolas e dos professores. Continuam insistindo que o problema da Educação nacional é o racismo apenas.

Por certo, o racismo existe no Brasil, mas não é apenas referido à cor da pele, tampouco apenas exercido por indivíduos ou grupos isolados. O racismo no Brasil é contra os pobres, que apenas são lembrados em época de eleição e somente servem aos infames interesses dos que pretendem se manter no poder a qualquer preço. A meu ver, a palavra mais adequada para representar essa mazela é SEGREGACIONISMO. Em nosso país, o maior racista, segregacionista, quase genocida, é o Estado brasileiro.

O verdadeiro desenvolvimento do Brasil não se dará por meio da oferta de esmolas e de assistencialismo que servem apenas para garantir mais 4 anos de permanência no poder. Nosso país só conseguirá crescer quando o Poder Público for composto por gente que respeite o povo, que entenda as suas necessidades e as coloque em primeiro lugar. O brasileiro merece respeito de seus governantes.

Respeitar as diferenças não é incentivar a desigualdade entre as pessoas. Respeitar as diferenças é pôr em prática o que está na Lei Magna desse país e que deveria ser a cartilha do Poder Público: Educação (pública e de qualidade) para TODOS que estão sob a proteção do Estado brasileiro, independentemente de cor de pele, posição social, ascendência ou descendência.

NOTA:
 
* Será que preciso citar nomes?

sábado, 19 de março de 2011

O Discurso de Obama

Nada contra o ilustre presidente dos EUA. Eu até gosto dele e do estilo que vem imprimindo à governança do seu país. Tem proposto reformas importantes em setores que outrora eram intocáveis, caso dos sistemas financeiros e de saúde norte-americanos. Ele é atlético, parece ser bom marido e pai. Ele passa aquela segurança que dá gosto de ver em um estadista. Sim, Barack Hussein Obama é um estadista.

Acho mesmo uma palhaçada essa história de ele ser sempre apresentado como o “primeiro presidente negro dos EUA”. Se ele não tivesse um braço ou perna, ou fosse cadeirante, cego ou surdo, ele seria o “primeiro presidente portador de deficiência dos EUA”. Isso também valeria para qualquer outra característica que estivesse de acordo com o que uma suposta maioria definiu como anormal: gay, calvo, obeso, diabético, hipertenso e por aí vai.

Coisa chata e estúpida! Parece que o camarada só tem isso para mostrar ao mundo. Quando ouço essas baboseiras, fico com a impressão de que o presidente Obama não tem outras credenciais além de ser “primeiro presidente negro dos EUA”. Será que ter nascido com a cor da pele escura foi a coisa mais importante que ele fez vida? Puxa vida, o cara foi líder estudantil, estudou Direito e Ciências Políticas, é o atual presidente dos EUA. Será que a cor da pele faz alguém ser especial? É por isso que o racismo e qualquer tipo de discriminação são uma estupidez.

Mas não é sobre racismo que quero tratar aqui. Gostaria de falar dessa visita ao Brasil, especialmente das escolhas dos locais a serem visitados, do aparato montado, dos motivos e das consequências dessa histórica visita.

Alguém aí já se perguntou por que Obama está visitando o Brasil? Por que agora? Por que escolheu o Rio de Janeiro, mais ainda, por que escolheu a Cinelândia para um “discurso ao povo brasileiro”? Por que um “discurso ao povo brasileiro”? O que ele teria para dizer? Quais os seus interesses?

Então vamos a alguns fatos. Os EUA e o mundo ainda se recuperam da crise de 2008 gerada pelo mercado financeiro norte-americano. Acho que é notório que o mundo depende dos norte-americanos, porque são eles que consomem tudo o que se produz no mundo. Acontece que nessa crise, algumas coisas ficaram diferentes. Dessa vez os americanos também sentiram as perdas geradas pela explosão da “bolha de crédito”, criada artificialmente quando especuladores do mercado imobiliário saíram distribuindo crédito para que as pessoas, mesmo aquelas sem condição de saldar as dívidas, comprasse imóveis. Houve gente hipotecando seus imóveis para comprar outros com o dinheiro adquirido com a hipoteca. O problema é que muita gente não conseguiu saldar os empréstimos realizados no sistema financeiro e os valores dos imóveis foram jogados no chão, o que, em efeito cascata, descapitalizou o mercado.

Muito que bem. Devemos lembrar também que os norte-americanos estão perdendo seu posto de “donos do mundo”, econômica e militarmente, para os chamados países emergentes, em especial a China. As últimas guerras (Afeganistão e Iraque) criadas para melhorar esse cenário não foram muito bem sucedidas no que tange a melhora da posição dos EUA como líder mundial. George W. Bush fez um “excelente” papel no que diz respeito à desmoralização dos americanos perante o mundo. Então Obama, por ser negro(?) e Democrata teria esse papel quase messiânico de reerguer os 50 estados ao patamar de principal potência mundial.

Mas, voltando à visita ao Brasil. Acredito que é apenas mais uma de suas investidas em busca do posto perdido.

Por ter acreditado na gaiatice de Obama, o patético ex-presidente Lula pensou mesmo que era o “cara”. Sendo assim, apenas deu continuidade à sequência de atos estúpidos no que tange às relações exteriores com países tais como a China, Iraque, Líbia, Cuba, Venezuela e outras ditaduras e republiquetas consideradas pelo molusco legítimas democracias. O Brasil, desde sempre, teve papel estratégico, militar e economicamente, dentro da América Latina para os EUA. E é lógico que essa aproximação com rivais históricos dos norte-americanos não seria vista com bons olhos. E vejo nisso um ótimo motivo para essa visita.

Nos últimos anos, o Brasil vem se destacando no cenário mundial como país emergente, seja como um dos maiores exportadores de produtos do agronegócio (soja, etanol, açúcar, carne de boi e porco), seja como, mais recentemente, como um dos grandes produtores de petróleo. Infelizmente, nada disso tem trazido verdadeiros benefícios sociais à população, pois pagamos pesados impostos e não vemos nenhum retorno social. Mas isso é outra história.

Outro fato que também tem chamado atenção é a vontade do Brasil ter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Fora as relações comprometedoras, o Brasil foi um dos cinco países que se absteve na votação pela criação de uma área de exceção no espaço aéreo líbio, que visa impedir que o Exército da Líbia ataque os cidadãos contrários ao regime vigente. Covardia ou diplomacia? Agora, alguém em sã consciência teria coragem de deixar um país que mantém relações perigosas com países dominados por ditadores, que expropriam e humilham seus povos, ser membro permanente de um conselho de segurança mundial? É fato que os norte-americanos não estão preocupados com o mundo, mas não deixa de ser providencial essa recusa ao Brasil.

Além disso, para engrossar a fieira de motivos que está trazendo o presidente Obama ao Brasil, temos a defesa feita pelo presidente molusco ao Irã mesmo havendo fortes indícios de fraude naquelas eleições presidenciais, o fato do molusco ter chamado Muammar Khadafi de irmão, fora o fato de a China ser considerada parceira comercial do Brasil.

É ou não é motivo à beça?

Quero deixar bem claro que não sou pró-EUA nem contra-EUA. E é por isso que estou escrevendo esse texto. Pretendo apenas exercitar o pensamento.

Já falamos sobre motivos e momento histórico. Falemos agora da escolha do Rio de Janeiro. Parece óbvio dizer que o Rio de Janeiro é a vitrine do Brasil, mas nesse caso isso vem muito a calhar. Ora, pense comigo: você nasceu e cresceu sabendo que é rico e dono do mundo. Por contingências da vida, você sofre uns abalos. Além disso, sua família tem te cobrado muito uma atitude mais assertiva, mas não tem te dado muito apoio. Você não se deixa abater e quer mostrar para todos que ainda se mantém rico e poderoso. O que fazer? Correr atrás do prejuízo, ou seja, correr atrás dos países que sempre te apoiaram Esse é o papel do Obama nesse momento. Ele precisa mostrar ao mundo e aos EUA que os norte-americanos continuam poderosos. Nada melhor que um país como o Brasil para começar a retomada do poder.

Rio de Janeiro, “Cidade Maravilhosa”, palco da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, com favelas supostamente pacificadas, morada do Cristo Redentor (uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno), cantada em verso e prosa por ter as praias e as mulheres mais bonitas do mundo e por aí vai. Acrescente-se o fato de o “discurso ao povo brasileiro” ter como palco a Cinelândia, espaço popular de tantas legítimas manifestações políticas. Acredito que até habitantes de outros planetas sabem das vantagens de uma apresentação no Rio de Janeiro nos dias atuais. Quer cenário melhor?

Então temos o seguinte: O presidente Obama se viu politicamente enfraquecido em seu país e buscando melhorar a situação, decidiu que começaria sua reação com viagens internacionais. Em última análise, o Brasil, por estar em um bom momento frente aos demais “parceiros” históricos, seria um bom começo. Mas não poderia ser uma visita qualquer, criou-se assim o evento “Discurso ao povo brasileiro”. Para tanto, sua “inteligência” escolhe a dedo o local, organiza um megaevento em praça pública com direito a interdição de ruas e controle do espaço aéreo do Centro da cidade. Praticamente a criação de um território norte-americano em pleno Centro da cidade, porém fora do Consulado.

De última hora, parte dos planos do presidente Obama é frustrada: o discurso não mais será em praça pública como planejado. A ideia agora é que o evento seja realizado dentro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para um público seleto. E onde fica o povo brasileiro nisso tudo?

Vergonha maior é o papel que as 3 esferas de governo estão fazendo em virtude dessa visita. As ruas da cidade, por onde passará a comitiva do presidente Obama, estão sendo limpas, asfaltadas e remendadas. O mobiliário urbano também está recebendo um trato especial e sendo recuperado. Ruas da Cidade de Deus, favela (comunidade para os politicamente corretos) que poderá receber a visita da Primeira Dama Michelle Obama estão recebendo um carinho todo especial, estão sendo varridas e asfaltadas, para que a visitante não veja a realidade da população.

Quem lê a minha crítica às “obras” poderá ter a impressão de que estou sendo contra a melhoria das condições de vida da população pobre. Mas, o que quero apontar é que os reparos só estão sendo realizados porque visitantes estrangeiros chegarão por aqui. Há anos, os moradores das regiões que estão recebendo maquiagem solicitam providências. Por que será que obras necessárias de saneamento e urbanização de favelas (do estado como um todo) não são vistas como prioridades pelo Poder Público? Obras necessárias para a população são realizadas a título de maquiagem para “inglês ver” (nesse caso, para norte-americano ver)? Será que o povo nativo não merece respeito?

Sobre o desrespeito dos governantes à população, o papel da imprensa tem sido medíocre. Os jornais apenas têm noticiado o fato de a prefeitura estar maquiando a cidade para a visita. Nada mais. Nenhuma crítica se ouve. Pior, tem mostrado que não há vozes discordantes. É como se todo mundo estivesse achando o máximo receber a visita do presidente norte-americano. Mais ainda, reforçam a imagem de que o povo é realmente colonizado, subserviente e alienado. Vendem a visita do chefe de Estado como se fosse um megaevento de música. Isso fica claro quando assistimos as reportagens, onde nativos embevecidos se mostram orgulhosos e cheios de importância, porque acreditam que essa visita significa que o Brasil ficou famoso, quando na verdade é só uma demonstração de força do colonizador. Alguns podem dizer que, se as pessoas não criticam, é porque são de classes populares. Ledo engano. A ignorância está em toda a parte. A falta de crítica por parte dos brasileiros, em especial dos fluminenses, é assustadora. Comportam-se como eternos colonizados que agradecem ao seu colonizador. Como um povo pode entender que seu colonizador não é seu parceiro, mas de um jeito ou de outro será um explorador, sem que haja um processo maciço de Educação?

Pior que tudo isso é a repressão que a polícia militar realizou à manifestação contrária à visita de Obama. O protesto contou com a presença de militantes de partidos políticos (inclusive da base do atual governo federal) e estudantes. Os manifestantes se dirigiam ao Consulado Americano quando foram abordados pela Polícia Militar que informou que a manifestação não tinha autorização. Apesar de a manifestação transcorrer sem maiores problemas, algum mal-educado exaltado resolveu jogar coquetéis Molotov contra a sede do Consulado, causando ferimentos em um funcionário e provocando o revide da polícia com balas de borracha. O protesto é legítimo, a violência jamais.

Se por um lado, tudo isso não passa de mais uma demonstração de poder por parte dos EUA; por outro, os governos brasileiros passam a impressão de que estamos em pé de igualdade com os norte-americanos. Essa ilusão de igualdade fica patente no discurso dominante, no qual se privilegia o aumento do consumo por parte dos mais pobres. No entanto, assim que a ameaça da inflação se fizer presente, os juros serão reajustados e os preços dos alimentos sofrerão aumentos que pesarão no orçamento desses mais pobres.

Diferentemente do que o novo slogan do governo federal apregoa, um país desenvolvido não é aquele que não tem pobreza; leia-se “povo que consome sem restrições todo tipo de porcarias que está no mercado”. Na verdade, um país desenvolvido é aquele cujos habitantes receberam Educação. Pois, com Educação, o povo, conhecedor de seus direitos e deveres, não será manipulado por propagandas estatais mentirosas e será mais consciente, não se deixando levar por apelos consumistas sem questionamentos. Povo rico é aquele que consegue fazer escolhas inteligentes que beneficiam o coletivo social.

Bem, já falei demais. Vou me despedindo. Mas, sabe que eu fiquei curiosa para saber o que o visitante tem para dizer. Finalmente, o que o presidente Obama tem a dizer ao povo brasileiro?

domingo, 6 de março de 2011

Princípios do Fórum em Defesa da Escola Pública

Os 10 princípios do Fórum em Defesa da Escola Pública, documento lançado, em 23 de fevereiro de 2011, no Rio de Janeiro, englobam todas as questões pertinentes aos profissionais de ensino e ao setor. Eu Apoio. Apoie você também.

Repasse esses princípios para a sua rede de contatos e divulgue a importância da Educação de pública e de qualidade para todos. Quando a Educação pública for de qualidade, não haverá mais desculpas para a criação de cotas de vergonha. Todos são capazes de progredir, apenas precisam encontrar as condições adequadas.


Os 10 princípios do Fórum em Defesa da Escola Pública

1- Defender a educação pública gratuita, laica, democrática e de qualidade social, em todos os níveis, como um direito social universal e dever do estado.
2 - Exigir do poder público a garantia de acesso e de permanência, assegurando efetiva assistência estudantil (moradia, transporte, meia-entrada nos eventos culturais, bolsa de manutenção, etc.).
3 - Defender a organização de um efetivo Sistema Nacional de Educação que articule e garanta o cumprimento das responsabilidades educacionais dos diferentes entes federais.
4 - Defender a aplicação imediata de montante equivalente a, pelo menos, 10% do PIB na educação pública em todos os níveis e que as verbas públicas sejam destinadas somente para as escolas públicas.
5 - Combater todas as formas de mercantilização da educação e a introdução de critérios produtivistas no trabalho dos profissionais de educação e na avaliação das instituições e dos estudantes.
6 - Exigir controle social sobre a educação privada, como concessão do poder público. É função do Estado regulamentar e fiscalizar seu funcionamento, observando a garantia de carreira digna aos seus trabalhadores e a autonomia didático-científica diante de suas mantenedoras.
7 - Articular a luta em prol da qualidade com a defesa da garantia pelo Estado das condições de trabalho dos profissionais da educação, incluindo a valorização salarial e a autonomia didático-cientifíca.
8 - Exigir que a gestão democrática das instituições e sistemas educacionais seja realizada por meio de órgãos colegiados democráticos.
9 - Defender a formação inicial e continuada, pública e gratuita, presencial e de qualidade de todos os trabalhadores em educação, em todos os níveis e modalidades educacionais.
10 - Ampliar o debate com os movimentos sociais e populares e entidades acadêmicas com o objetivo de reconstruir o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública e fortalecer a luta pela elaboração coletiva e democrática do Plano Nacional de Educação: proposta da sociedade brasileira.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Aborto Faz Mal à Saúde!

Para aqueles que defendem o aborto e acham que ele serve como contraceptivo, segue uma matéria ilustrativa. Ser bem educado vale também para o sexo. Pessoas educadas fazem sexo seguro.

Aborto causa depressão e baixa estima na maioria das mulheres
14/12/2010 10:29:00

Além dos problemas políticos, religiosos e físicos, o aborto também pode afetar seriamente a saúde psíquica das mulheres.

Em pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP com 120 mulheres que passaram por aborto, mais da metade apresentaram algum nível de depressão e a maioria sofria de baixa a média estima pessoal.

"Esses resultados indicam que as equipes de saúde precisam buscar cada vez mais políticas públicas para prevenção da gravidez indesejada, levando em consideração as dificuldades ao uso de métodos contraceptivos com visão integral à mulher, ou seja, considerando todo seu contexto", diz a enfermeira Mariana Gondim Mariutti Zeferino, autora do estudo.

Mariana cita como exemplo a violência familiar, o uso de álcool e drogas, a resistência do parceiro ao uso de métodos contraceptivos de barreira, principalmente quando a mulher tem efeitos colaterais ou contra-indicações aos anticoncepcionais hormonais e submissão ao parceiro.

"E quando a gravidez indesejada acontece, tendo como consequência o aborto induzido, que a equipe possa oferecer assistência qualificada e humanizada e que estimule os profissionais de enfermagem a reconhecer as necessidades de implementar os cuidados e reforçar aspectos resilientes dessas mulheres", alerta a pesquisadora.

O estudo foi realizado entre agosto de 2008 e setembro de 2009, com mulheres internadas em um hospital público do interior do Estado de São Paulo, com diagnóstico de abortamento.

Mariana detectou que 57% delas apresentavam sinais indicativos de depressão, sendo que em 33% distimia, ou seja, leve e prolongada, 22% moderada, e em 13% a depressão é grave. Além de depressão, 109 das mulheres apresentaram de média a baixa estima pessoal.

Segundo a enfermeira, estudos anteriores já mostraram que a situação de abortamento pode ter relação com depressão antes e após a ocorrência, mesmo a longo prazo, com diferenças de acordo com a natureza do aborto.

Outros dois dados da pesquisa chamaram a atenção da pesquisadora, o fato desses abortos terem sido provocados em 25% dos casos e ainda de 75% dessas mulheres não ter planejado a gravidez, mas mesmo assim não faziam uso de métodos contraceptivos.

A maioria das mulheres do estudo é jovem, solteira e com relacionamento estável, católica, com poucas atividades de lazer, sem fonte de renda própria, sem casa própria, com residência fixa há mais de um ano, não tem problemas de relacionamento e de violência na gravidez.

Entretanto, as que tiveram problemas, relataram uso de álcool e drogas na família. Os dados revelaram, ainda, associação entre violência familiar e aborto provocado.

Entre as que apresentaram sinais de depressão, a maioria declarou-se solteira, trabalham, com mais de 40 anos de idade e tem religião.

Mariana diz que o fato de muitas dessas mulheres terem parceiro, trabalho, religião, situação financeira estável e apoio familiar, mostrou-se como um fator de proteção significativo em relação à depressão.

"Em relação aos indicativos de resiliência, ou seja, a habilidade de persistir nos momentos difíceis mantendo a esperança e a saúde mental, o estudo mostrou que quando essas mulheres estão felizes ajudam as pessoas, contam mais piadas e sentem-se bem. Mas, muitas delas relataram que quando sentem raiva, se isolam, se calam, choram e até gritam".

A pesquisa é resultado do doutorado de Mariana, Associações do abortamento com depressão, autoestima e resiliência, orientada pela professora Antonia Regina Ferreira Furegato, da EERP.


Fonte: Agência USP / Prontuário de Notícias

sábado, 20 de novembro de 2010

A Evolução da Educação

Essa veio por correio eletrônico. Gostaria de compartilhá-la.

Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas...

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:

Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.

Por que estou contando isso? Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00.
Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo? ( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder).
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos, pois a professora provocou traumas na criança.

- Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:
“Todo mundo está 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos. Quando é que se 'pensará' em deixar filhos melhores para o nosso planeta”?

Precisamos começar JÁ!

domingo, 14 de novembro de 2010

Pior que tá, fica!

E a piada que virou o Enem, hein? Em outro post, já havia tocado nesse assunto. Em 2009, houve a escandalosa fraude e vazamento das provas e do gabarito. Estava lá para quem quisesse ver. As câmeras de segurança da gráfica mostraram a ação do fraudador retirando a prova do local onde estava sendo impressa.

O tempo passou, muita conversa foi jogada fora, mas nada mudou. Não, mudou sim, para pior! Quando se achava que a trágica experiência de 2009 serviria, pelo menos, de ponto de reestruturação para o Enem, somos mais uma vez assaltados pela notícia de vazamento do tema da redação, provas mal elaboradas contendo erros crassos de história, com questões repetidas e/ou faltando, cabeçalhos de folhas de respostas trocados e até gente “twittando” durante a aplicação das provas. Como diriam os gaúchos: Barbaridade, tchê!

A coisa já começou patética com a proibição do uso de lápis ou lapiseira e borracha, sendo apenas permitido o uso de caneta preta (será que tem a ver com as cotas raciais que o governo tanto defende?). Entendo isso como racismo. Por que a caneta azul foi discriminada? Como alguém consegue fazer uma prova sem rascunhar antes?

Achando pouca toda a trapalhada realizada pelo INEP e MEC, vem o “mestre dos magos”, o gênio autodidata em abrobrinologia, Sr. Luis Inácio (¿Por qué no te callas?) Lulla da Silva, dizer que o exame foi um sucesso. Só faltou de dizer que o sucesso só foi de público e não de crítica. Ora, faça-me o favor, Sr. Presidente! O cara só pode estar brincando quando fala uma sandice dessas.

Mais grave é o Ministro da Educação(?), Fernando Haddad, metido a galã do cinema mudo, argumentar que, em relação ao número de estudantes que fizeram a prova, foram poucos os prejudicados, que os erros não foram tão grandes e os gastos com a realização de novo exame seriam altíssimos. Será que uma prova com conteúdo errado, contendo repetições ou ausência de questões, não é um fato grave? Por que não fizeram revisão do material enviado à gráfica? Será que o ministro conseguiria fazer uma prova com tantos erros e preencher as folhas de reposta de trás para frente? Pois, só faltou pedirem aos estudantes que plantassem bananeiras durante o preenchimento das folhas de resposta.

Ainda tiveram o descaramento de dizer que processariam os estudantes que estavam reclamando pela Internet. Fanfarrões, é o mínimo que se pode dizer desses que deveriam zelar pela Educação brasileira.

Agora é esperar para ver no que dá toda essa palhaçada. Ih, palhaçada é com o Tiririca. Isso me fez pensar que ninguém melhor do que um palhaço para lidar com palhaçada. Acho que muita gente concordará comigo que o melhor nome para suceder o atual Ministro da Educação é TIRIRICA.

Alô, Dillma! Tiririca neles!

Quem sabe com um especialista a coisa não anda, não é? “Porque pior que tá, fica”.

domingo, 3 de outubro de 2010

Minhas Considerações: Certo ou Errado

Right or Wrong?

O que é certo e o que é errado? Será que perdemos a capacidade de distingui-los? O que está acontecendo com as pessoas? Às vezes tenho a sensação de estar vivendo em um mundo paralelo, que fui abduzida por alienígenas e fui parar em outra dimensão. Acho que nem Alice, tendo despencado no País das Maravilhas, nem a Dorothy, levada pelo redemoinho até OZ, ficaram tão desorientadas como eu fico atualmente diante de tantas coisas estranhas e bizarras que o ser humano tem sido capaz de realizar.

Até os nem tão religiosos estão dizendo que estamos no “fim dos tempos”, “está tudo na Bíblia, é o Apocalipse”! Não sei se chegamos ao final dos tempos, como querem alguns acreditar. O que sei é que estamos cada vez mais nos afastando da Civilização e nos retornando à Barbárie. Às vezes fico pensando se já conseguimos sair da barbárie...

Não sou daquelas pessoas otimistas, mas também não me considero pessimista, não quero colocar ninguém para baixo. Considero-me apenas realista. Procuro pesar prós e contras, nada mais. Como coloquei em um post desses aí, o pensamento é a única coisa que nos diferencia de nossos irmãos animais. Mas, a atual conjuntura mundial está dando medo!

É tanta gente praticando o mal por aí. É tanta gente cometendo atos ilícitos e saindo ilesa; outras comentem o ilícito, não se veem como agentes do delito e exigem seus direitos com veemência quando são contrariadas. Coisa de louco!

Esses que fazem coisas erradas e ilegais justificam dizendo que “o erro vem de cima”. Se até os políticos, magistrados e clérigos cometem seus pequenos delitos (nem tão pequenos assim), porque não cometê-los também? A meu ver, a resposta é simples: pelo simples fato de que são delitos, porque são coisas ilegais e imorais.

Alguém que não paga o IPVA, sai com seu veículo, é flagrado em uma blitz pela Polícia e paga propina, provavelmente, não se vê como corrupto. Agora, se essa mesma pessoa sabe de algum ato desonesto de um político, dirá que o Brasil não tem jeito, pois no país só tem corruptos. Pergunto: qual é a diferença de se oferecer propina para o policial não reter o carro e o grande golpe do político influente?

Apenas o valor da propina! Ambos são atos de corrupção, são delitos. Acredito que, se a gente começar a observar os pequenos delitos, que parecem inocentes, cometidos todos os dias, teremos a noção de que somos responsáveis por tudo que acontece ao nosso redor. Avançar o sinal, furar a fila, oferecer propina, usar o cinto de segurança só porque dá multa, usar drogas recreativamente, entre outras coisas, são coisas que somente são questionadas quando nos atingem.

Enquanto não entendermos que fazemos parte do mesmo universo, que somos responsáveis pelos nossos atos, que devemos respeitar o próximo como a nós mesmos, ficará muito difícil falar em Civilização de fato. Uma gota sozinha pode parecer inofensiva, mas pode ser o que falta para inundar uma cidade.

domingo, 18 de julho de 2010

A Calçada é para Pedestres?

Afinal, de quem é a calçada? Essa aconteceu durante uma saída ao supermercado. Vínhamos, eu e minha mãe, pela calçada. Calçada esburacada, diga-se de passagem, lugar comum na maior parte das cidades brasileiras. Precisávamos atravessar a rua. Para isso, seguimos em direção a um sinal de trânsito localizado em frente a um posto de combustíveis.

A calçada do posto estava sem buracos, mas escorria água com sabão e óleo, o que a tornava um perigo iminente. A chance de nos tornarmos personagens de um acidente era grande. Acrescente-se a isso, o fato de termos dificuldades em nos locomover com a destreza dos atletas e dos artistas de circo. Somente recordando: tenho um joelho lesionado e minha mãe é idosa e sofre também com problemas nos joelhos e coluna.

Para atravessarmos com um mínimo de segurança, nos dirigimos ao sinal de trânsito por cima da calçada do posto de combustíveis, tomando cuidado para não pisar nos locais em que a água escorria. Logicamente, essa travessia não poderia ser feita rapidamente. Enquanto passávamos, fomos surpreendidas por um carro que entrava no posto sem se preocupar com quem estava na calçada.

Eu estava um pouco mais a frente e, ao olhar para trás, reparei que o motorista “empurrava” o carro pressionando minha mãe a andar mais rápido, pois, provavelmente, ele estivesse com pressa. Detalhe: o posto estava completamente vazio. O frentista dizia para minha mãe que ela não precisava andar mais rápido, embora o motorista insistisse em pressioná-la.

O motorista parecia dizer alguma coisa em protesto pela vagareza de minha mãe. Não cheguei a entender exatamente o que a infeliz criatura bradava, mas orientei minha mãe a andar dentro do seu limite, para que não se machucasse.

Agora vê se pode. O Brasil é um país de mal-educados que não querem ter deveres, apenas querem ter direitos. Direito a desrespeitar o direito dos outros. Por que tem que ser assim?

A partir da promulgação da Constituição Federal Brasileira, a questão das deficiências passou a ser entendida como uma política de Estado e não mais como um problema de alguns. Em seu artigo 23, Capítulo II, a Constituição determina que “é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios cuidar da saúde e assistência públicas, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiências”.

Já a Lei n.º 7.853/89, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências. Uma década depois, foi regulamentada por meio do Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999.

No ano 2000, foram promulgadas as Leis nos 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas portadoras de deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, as gestantes, as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Para regulamentá-las, foi determinado o Decreto nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004.

Além das citadas, existem outras Portarias Ministeriais. A Legislação que trata desse tema é ampla, contudo podemos observar que é desconhecida e desrespeitada na mesma proporção.

Quem já não se deparou com calçadas esburacadas, muitas vezes, pelo próprio Poder Público? Veículos automotores estacionados irregularmente, árvores mal colocadas e toda sorte de entulhos e, até mesmo, construções sobre o passeio público parecem ter se tornado a regra e não a exceção em nossas cidades.

E o mobiliário urbano? Se já não bastassem as calçadas serem esburacadas e mal projetadas, sem as devidas rampas de acesso e faixas em relevo (que facilitam a mobilidade de cegos), o mobiliário urbano se torna mais um obstáculo aos pedestres sejam portadores de deficiência ou não. São pontos de ônibus, postes de iluminação pública e fradinhos mal localizados e os meios-fios extremamente altos que só podem ser transpostos por atletas. Já os telefones públicos que, por vezes, se apresentam mal localizados e/ou mal sinalizados e cujas medidas de altura nem sempre permitem que um cadeirante ou uma pessoa de estatura baixa possa utilizá-los.

Incluem-se nisso, o transporte público não adaptado ou mal adaptado, as estações de Metrô e trem que muitas das vezes não são acessíveis, por não apresentarem rampas adequadas e elevadores ou plataformas elevatórias, os sinais de trânsito que não têm alarme sonoro, a sinalização de rua (placas e afins) que não vêm com a indicação em braille para que os cegos possam se localizar e se mover com maior autonomia, os banheiros que, quando existem, não estão adaptados e os prédios públicos e privados que ainda não se adequaram às normas previstas na Legislação.

Muitos podem pensar que nada têm a ver com isso, pois não são portadores de deficiências. Grande equívoco esse. Se considerarmos que somos moradores de uma cidade, que pagamos altíssimos impostos, que podemos nos tornar deficientes em algum grau ou termos um ente querido nessa situação e, mais ainda, que somos cidadãos civilizados que queremos ter uma cidade bonita e acessível para todos que vivem e aqueles que nos visitam, temos que nos considerar responsáveis pelo cumprimento das Leis.

Mesmo antes de um infeliz me atropelar e me deixar com um joelho comprometido, eu já pensava nesse assunto. Por fazer parte da Comissão de Saúde de meu Conselho Profissional, compunha um grupo atuante e preocupado com a questão da acessibilidade. Se não pudessemos resolver os problemas de toda a cidade que, pelo menos, em nosso Conselho e arredores tínhamos que fazer a diferença.

Nesse intuito, propusemos algumas alterações estruturais de acordo com o que a Legislação exigia. Uma vez que as medidas ficariam muito onerosas, decidiu-se pela aquisição de nova sede, o que facilitou o acesso de pessoas idosas, deficientes, grávidas, com mobilidade reduzida e/ou temporária.

A Cidadania é uma construção diária. Não podemos ficar esperando o problema nos atingir para que comecemos a nos importar. Talvez seja tarde demais quando isso acontecer.

Fontes de Referência:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Manual de Legislação em Saúde da Pessoa Portadora de Deficiência/ Ministério da Saúde, Secretaria de Assistência à Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2003.

Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989. Brasília.

Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Brasília.

Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Lei nº 10.048, de 8 de novembro de 2000. Brasília.

Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Lei nº 10.098, 19 de dezembro de 2000. Brasília.

Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia Para Assuntos Jurídicos. Decreto nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004. Brasília.