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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Flora Intestinal vs Obesidade

Bactérias no intestino estão ligadas à obesidade e diabetes
31/1/2012 09:17:00

Pesquisadores da Unicamp estão apontando para as bactérias presentes no intestino humano como uma nova linha de investigação sobre obesidade e diabetes.

Em 2006, um estudo publicado na revista Nature mostrou que obesos e magros tinham um tipo diferente de flora intestinal.

Há três anos, o grupo brasileiro começou a investigar o mecanismo pelo qual uma mudança na flora intestinal poderia ter influência na obesidade e na resistência à insulina.

Dois dos candidatos para mediar os efeitos da flora intestinal no metabolismo são os receptores TLR2 e TLR4, proteínas codificadas por um gene da família chamada de tipo Toll (receptores similares ao Toll), um trabalho premiado com o prêmio Nobel de Medicina deste ano.

O TLR2, uma proteína receptora presente na membrana de determinadas células, desempenha um papel no sistema imunológico. Ele reconhece antígenos e transmite "sinais" para as células do sistema imunológico. O TLR4 também é um receptor do sistema imunológico. Ele detecta principalmente lipopolissacarídeos (LPS), componentes presentes na parede celular das bactérias gram-negativas existentes no intestino.

"O animal obeso tem o receptor TLR4 ativado. A primeira coisa que encontramos nesse animal foi um LPS elevado. O LPS elevado aumenta absorção de energia que se acumula em forma de gordura. Fomos então procurar de onde vinha esse LPS elevado e os candidatos diretos foram as bactérias do trato gastrointestinal", explica o orientador das pesquisas, Dr. Mario José Abdalla Saad.

Os vários estudos que levaram a esta conclusão, todos publicados em revistas internacionais, tornaram cada vez mais evidente que a resistência à insulina, induzida pela obesidade, está associada com uma inflamação crônica do tecido adiposo, músculos esqueléticos e órgãos internos como o fígado.

Os estudos mais recentes do grupo mostram que uma mutação no receptor TLR4 tem um papel central na ligação entre a resistência à insulina, inflamação e obesidade.

As concentrações de LPS aumentam significativamente após a ingestão de refeições de alto teor de gordura e carboidratos. A ingestão de gordura leva ao aumento da permeabilidade intestinal, porque o LPS é solúvel em gordura.

Segundo o pesquisador Alexandre Gabarra Oliveira, enquanto o índice de LPS circulante no obeso equivale a 0,5 EU/ml, no magro, esse valor é de 0,05 EU/ml. Existem aproximadamente 100 trilhões de bactérias no intestino, representando de 400 a 1.000 espécies. O conjunto de bactérias que habitam o trato gastrointestinal é chamado de microbiota. Essas bactérias possuem a capacidade de extrair mais ou menos energia dos alimentos. Elas possuem enzimas capazes de digerir carboidratos complexos - polissacarídeos - transformando-os em carboidratos mais simples que são absorvidos e utilizados ou armazenados pelo organismo.

A partir da hipótese que a flora intestinal do obeso e do magro é diferente, tanto em humanos como em roedores, o biomédico Bruno de Melo Carvalho buscou uma forma para modular a flora intestinal e comprovar a relação desta com a resistência à insulina e com a obesidade. A estratégia foi usar antibióticos.

O grupo de animais sem os antibióticos adquiriu todos os componentes de resistência à insulina induzidos por obesidade - inflamação, intolerância à glicose e perda de sensibilidade à insulina. "O animal tratado com antibiótico teve todos os componentes fisiológicos melhorados em relação ao animal que apenas recebeu dieta rica em gordura. Tanto no fígado, músculo e tecido adiposo, a ativação de todas as proteínas das vias de sinalização da insulina foi melhorada em relação aos animais que não foram tratados", disse Bruno.

Com o tratamento com antibióticos, o pesquisador conseguiu reduzir o número de bactérias no intestino e essa queda proporcionou uma redução dos níveis de LPS circulante, o que resultou na ativação menor do TLR4 e redução na inflamação desse animal, ocasionando melhora na sensibilidade à insulina.

A pesquisa da bióloga Andrea Mora Caricilli foi a peça que faltava para entender a relação entre a flora intestinal e a obesidade. Ela utilizou um grupo de camundongos modificados geneticamente para a não expressão do receptor TLR2, chamados nocaute.

Estudos publicados anteriormente por outros pesquisadores apontam que a ausência do TLR2 leva a um aumento da sensibilidade à insulina. Entretanto, ao contrário do que mostram esses estudos, não foi isto que ela encontrou. "Percebemos que o camundongo nocaute tinha um aumento da concentração de lipopolissacarídeo em comparação aos animais controle. Esse aumento nos levou a investigar qual era a composição da flora intestinal. Observamos que a flora intestinal desses animais tinha uma maior proporção de Firmicutes, como se observa nos obesos", explicou Andrea.

De acordo com a pesquisa, as mudanças na microbiota intestinal foram acompanhadas por um aumento na absorção de LPS, inflamação subclínica, resistência à insulina, intolerância à glicose e, mais tarde, obesidade.

Para comprovar essa teoria, Andrea tratou os camundongos nocaute para o TLR2 com antibióticos de largo espectro, o que dizimou a microbiota intestinal e resgatou o fenótipo metabólico do animal, assemelhando-se ao que se observa nos camundongos controle. Em seguida, transplantou a microbiota dos camundongos nocaute para o TLR2 para camundongos controles com uma microbiota bastante simplifica e passou a alimentá-los com ração padrão. Os animais começaram a desenvolver obesidade e resistência à insulina.

"Toda regulação do sistema imunológico na flora intestinal, o crescimento e predominância de um tipo de bactéria dependem do alimento que você consome e do ambiente em que você está inserido. "Dependendo da flora intestinal estabelecida no seu organismo, haverá uma menor ou maior absorção de gordura e uma maior ou menor propensão ao desenvolvimento da inflamação subclínica e da resistência à insulina. Ainda não está esclarecido como ocorre a seleção bacteriana no intestino", concluiu a pesquisadora.

"A obesidade tem um componente genético e ambiental, mas a flora intestinal é mais importante do que pensávamos. Se eu pegar uma flora intestinal de um animal obeso e transplantar para um animal magro, esse animal é capaz de desenvolver obesidade. Uma dieta calórica, com alto teor de gordura e pouca fibra, modula as bactérias da flora intestinal e facilita a instalação da obesidade”, concluiu Saad.

Fonte: Jornal da Unicamp / Prontuário de Notícias.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Culpa é da Leptina

Porque ficamos mais gulosos quando fazemos dieta?
18/1/2012 09:38:00

Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience elucida de que forma o cérebro regula as sensações de fome e apetite. Porque gostamos mais de guloseimas quando fazemos dieta para perder peso? Um hormônio explica: a leptina.

Neste trabalho esteve envolvida Ana Domingos, ex-aluna do Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e Medicina, atualmente na Universidade de Rockefeller, em Nova Iorque. Em entrevista, a cientista explicou que a pesquisa, feita em ratinhos, "poderá direcionar a clínica para a terapia de substituição hormonal durante as fases iniciais da dieta".

Segundo Ana Domingos, quando fazemos dieta e perdemos peso ficamos mais gulosos, ou seja, mesmo sem fome temos vontade de comer coisas gostosas, como uma fatia de pizza ou mousse de chocolate. "Este é um desvio do comportamento que popularmente é atribuído à falta da força de vontade, mas eu pensei que deveria de haver uma base biológica para esta alteração do comportamento", diz.

Assim, a equipe da Universidade de Rockefeller procurou encontrar esta base biológica e a conclusão a que chegou é que a leptina controla não só a sensação de fome, que se pode tentar enganar com truques dietéticos, mas também o quanto gostamos de determinados alimentos, principalmente os açucarados.

A leptina diz ao cérebro quanta gordura temos, fazendo com que este não varie nem para cima nem para baixo. À medida que perdemos peso baixa a concentração desse hormônio, produzido pela própria gordura de que tanto queremos nos livrar. A leptina foi descoberta em 1994 no laboratório de Jeffrey Friedman, mentor de Ana Domingos, que também está envolvido na pesquisa.

A leptina controla o quanto gostamos de alimentos principalmente açucarados. "Pacientes deficientes deste hormônio são extremamente obesos e sentem uma fome insaciável, pois o sinal da presença da gordura não existe. O mesmo acontece em vários animais deficientes de leptina. Nestes indivíduos, uma terapia de substituição da leptina normaliza tanto a sensação de fome como o peso e o metabolismo basal", explica Ana Domingos.

No entanto, assinala a bióloga, "a maioria dos pacientes obesos não são deficientes de leptina, cuja abundância excede em muito os valores normais. Muitos destes pacientes adquiriram resistência à presença da leptina, tornando ineficaz uma terapia à base desta hormona para o controlo da fome e metabolismo".

Uma das consequências deste estudo pode ser a aprovação, pelas agências reguladoras, de um ensaio clínico de terapia de substituição hormonal da leptina em pacientes que devem perder muito peso. "Espera-se que uma terapia destas seria muito útil nas fases iniciais da perda de peso, podendo ser dosada em função da resposta do paciente", refere Ana Domingos.

Os próximos passos na pesquisa da equipe da Universidade de Rockefeller será perceber melhor porque gostamos tanto de açúcar. "Está cada vez mais claro que o nosso corpo detecta nutrientes não só através da língua, mas também através de mecanismos pós-ingestivos ainda por identificar. Daí que, em média, as pessoas não gostem de adoçantes artificiais. Estes têm uma ação na língua idêntica à do açúcar, mas falta-lhes a tal ação pós-ingestiva", explica a cientista.


Fonte: Jornalismo - Prontuário de Notícias

sábado, 3 de setembro de 2011

Bom Apetite!

Entenda porquê cedemos à gula e saiba evitar às tentações
27/8/2011 17:31:00

Quando cair em tentação e devorar aquele pedaço de bolo de chocolate, não culpe mais seu estômago, afinal, cientistas descobriram que a gula está mais ligada ao cérebro do que ao corpo e afirmam que é possível controlá-la, segundo noticiou o site australiano Body+Soul.

O apetite é um sistema complexo que os pesquisadores ainda não são capazes de entender por completo, mas sabe-se que 30 minutos a mais de sono diariamente ajuda a pessoa a fazer escolhas mais saudáveis até o fim do dia. "O apetite é feito por dois sistemas. Um deles, mais longo, mede a quantidade de gorduras no corpo pelo nível de leptina, um hormônio secretado pelas células de gordura; o sistema menor nos diz há quanto tempo comemos pela última vez pelo conteúdo do estômago, intestinos e cólon", explicou Victor Zammit, professor de bioquímica metabólica da Escola de Medicina Warwick, no Reino Unido.

Assim, o burburinho do estômago é apenas um sinal de que ele está contraindo e está vazio, mas também pode ser um indício de outros problemas que levam à fome. A necessidade de comer ou parar de comer varia de pessoa para pessoa. "Tem gente que se sentem saciadas rapidamente e para elas é fácil se manter magras", explicou Jane Wardle, professora de psicologia clínica da Universidade College London.

Stephen O'Rahilly, professor de bioquímica clínica e medicina da Universidade de Cambridge, disse que geralmente as pessoas gordas estão acima do peso porque seus cérebros agem de maneira diferente, fazendo com que sintam fome o tempo todo. "E é difícil ignorar seu apetite quando ele é insistente", disse.

Variações no apetite têm ligação genética e podem ser medidas até em bebês. Um defeito genético chamado melanocortina-4 envolve a deficiência de um receptor que faz o cérebro não receber sinais de saciedade e tem sido estudado por cientistas.

Muitas vezes a vontade de comer está mais relacionada ao prazer de ingerir um alimento do que à necessidade de nutrição. Isso porque alguns alimentos são ligados às emoções e sensações de recompensa. Zammit explicou que tais impulsos vêm do cérebro e é por isso que há pessoas que esquecem de comer ou comem demais quando estão preocupadas.

Outra questão emocional é que comemos mais quando estamos acompanhados e não nos concentramos no alimento, como quando assistimos TV durante a refeição, já que dessa forma não ouvimos os sinais internos de saciedade. Se você não presta atenção no sabor do alimento na boca, demora mais para que o cérebro registre a sensação de saciedade.

Podemos nascer com uma predisposição genética a ter um grande apetite, mas podemos treinar o cérebro para comer de maneira inteligente e em pequenas porções, dispensando os lanchinhos. Requer esforço, é difícil, mas com o passar dos dias o cérebro passa a entender melhor essas novas conexões. Se servir de pequenas porções e se livrar das sobras o quanto antes ajudam a manter as tentações distantes.

Outra dica dos especialistas é consumir alimentos ricos em água, pois eles têm menor densidade e maior capacidade de saciar o apetite. Alimentos com baixo índice glicêmico mantêm os níveis de insulina estáveis evitando a fome. A proteína também ajuda a induzir um hormônio anti-fome e é um aliado contra a gula.

Fonte : UOL / Prontuário de Notícias

sábado, 13 de agosto de 2011

Motivo do fracasso no regime está nos neurônios
12/8/2011 10:24:00

Cientistas descobriram o motivo que explica o fato de ser tão difícil emagrecer e ele está todo no cérebro. Em testes feitos em ratos, os pesquisadores perceberam que a privação de alimento induz um processo nos neurônios chamado de Autofagia – as células do hipotálamo comem as reservas de gordura de outras células. O processo representa um sinal de alerta da fome. A sensação de fome é justamente a maior dificuldade durante uma dieta, o bloqueio deste sinal evitaria a necessidade do indivíduo ter de se controlar para não comer.

Como resolução dos problemas dos regimes malsucedidos, os pesquisadores da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York, conseguiram bloquear a autofagia e por consequência o alerta de fome. Com isto, eles descobriram também uma nova maneira de modular o apetite e o peso corporal em abrir caminho para, no futuro, desenvolver um novo remédio para o emagrecimento.

Para bloquear o canibalismo entre os neurônios, os pesquisadores descobriram o gene responsável pelo processo de autofagia, o atg7 e o retiraram. "No entanto isto foi feito apenas de forma experimental. Por enquanto, só estão disponíveis neste momento agentes farmacológicos experimentais que podem ser usados para inibir ou ativar o processo de autofagia nas células de roedores", disse Rajat Singh, autor do estudo publicado no periódico científico Cell.

O pesquisador joga um banho de água fria nos ávidos pelo emagrecimento mais fácil. Ele afirma que ainda vai demorar alguns anos para que o novo remédio seja fabricado. Mas a expectativa é que estudos futuros consigam desenvolver novas drogas que possam ser usadas por humanos. "Nossas descobertas ainda precisam ser testadas em humanos, o que é a nossa meta de longo prazo", disse.

A autofagia é um processo comum em diversas células do corpo de animais e humanos. “O grupo de pesquisadores começou, inclusive, a pesquisa estudando a autofagia como forma de diminuir o estoque lipídico em órgãos como o fígado. E aí ficamos interessados em testar isto em neurônios do hipotálamo", disse.

Sigh explica que a perda nos estoques de gordura ocorre de maneira muito sutil. "Elas ocorrem apenas em momentos breves quando os ratos estão famintos. Quando o alimento é ingerido o estoque de gordura cresce rapidamente nos neurônios", disse Sight, explicando que a perda de gordura não afetou os neurônios dos ratos. Nos testes, também não foi observado nenhum efeito neurológico negativo nos animais quando a autofagia foi bloqueada nos neurônios.

A descoberta de como controlar o sistema de alerta de fome tem outro lado além daquele de facilitar o regime, como reduzir as taxas de obesidade e de diabetes pelo sobrepeso. Sigh conta que também será possível ajudar idosos que têm redução de apetite.

Fonte : IG / Prontuário de Notícias