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sábado, 14 de maio de 2011

Não se Preocupe, Seja Feliz!

Para ser feliz, não vá com tanta sede ao pote
7/5/2011 17:08:00

A busca pela felicidade é algo saudável. Mas alguns pesquisadores começam a alertar que, pouco a pouco, essa busca está se transformando em uma obsessão muito pouco saudável.

Na verdade, a busca pela felicidade já está sendo comparada a uma obsessão religiosa - aquela visão fundamentalista, presente em todas as religiões, em todos os tempos.

Depois de um milênio e meio da chamada "cultura ocidental", nem Católicos e nem Protestantes viam a felicidade como algo a ser alcançado. O objetivo sempre fora livrar-se do pecado original, ganhar a salvação e ser feliz só depois da morte.

Mas veio o Iluminismo e, com ele, a noção de que a felicidade era algo para o presente e para esta vida corporal. Não seria necessário esperar pela morte para obter a felicidade - sem contar o risco de não se conseguir alcançá-la.

Renúncia e desprendimento logo deram lugar a outras "virtudes", que deveriam permitir cada vez mais momentos de felicidade. Mas o filósofo francês Pascal Bruckner aponta é que, embora esse seja um bom objetivo, as pessoas estão se tornando infelizes em nome de sua busca pela felicidade.

"A felicidade se tornou um bem a ser vendido. O capitalismo exige que nós compremos, e, se temos que comprar, temos que buscar nossa satisfação nas compras. É por isso que as maiores lojas e empresas colocam a palavra felicidade em suas campanhas de marketing: 'estamos trabalhando pela sua felicidade', e por aí afora," afirmou ele em um artigo publicado na revista New Scientist.

Esta cultura do consumo vem misturando a felicidade com tudo, incluindo perfumes, cremes, xampus, mas também com a busca por saúde, que logo se transforma em uma busca sem fim pela longevidade e até por uma obsessão por uma inalcançável juventude eterna.

O problema é que a felicidade parece se esvair com o momento da compra. E a última crise financeira mostrou que a maioria das pessoas sequer consegue arcar com suas contas - débitos em parte assumidos em busca da felicidade.

"Mas você não pode comprar a felicidade ou construí-la como uma casa, ou pedi-la como faz com um prato em um restaurante. Ela é muito mais caprichosa e difícil," diz Bruckner.

Para ele, o maior obstáculo à felicidade são as próprias pessoas, que precisam se reeducar para atingir seus ideais, vencendo os tabus criados pela sociedade consumista - cujo único compromisso é o próprio consumo.

"O fato de que a depressão seja uma das doenças mais prevalentes hoje deve-se provavelmente ao fato de que a felicidade tornou-se o único horizonte: a depressão emerge quando você não consegue ser feliz, é um colapso interno," afirma.

Como não alcançam a felicidade, em vez de parar e repensar seus objetivos ou suas táticas, as pessoas tentam procurá-la com um afinco cada vez maior, transformando a busca pela felicidade uma tarefa em tempo integral.

"As pessoas estão sempre se perguntando, 'Será que sou realmente feliz'? 'É isto que eu estava procurando'? Em vez disso, elas deveriam assumir uma visão mais relaxada: a felicidade vem e vai," propõe o escritor.

Para ele, felicidade é um momento de encantamento, quando as pessoas abandonam suas preocupações e sentem alcançar um estado mental diferente daquele do dia-a-dia.

"O que me faz feliz? Uma boa noite de sono, ter ideais, um bom projeto. Se você tem uma paixão, ela torna sua vida mais fácil, mesmo que você tenha dúvidas ou momentos de tristeza. Ter a felicidade como único objetivo torna as pessoas malucas, é muito difícil, e você não vai saber quando chegou lá porque não há uma definição precisa de felicidade", diz Bruckner.

Fonte: Diário da Saúde / Prontuário de Noticias

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Boa Páscoa!

Ultimamente, abrimos mão dos bons momentos de reflexão, pois não temos "tempo a perder". E assim vamos levando a vida num atropelo constante, tendo a sensação de que o dia tem menos horas do que gostaríamos que tivesse. Assim acontece no Natal, na denominada Semana Santa e em outros "feriadões" que mais servem para as pessoas ficarem presas em engarrafamentos intermináveis ou mortas pelo caminho tamanha pressa de chegar a nenhum lugar.

A ideia agora é consumir e não refletir. Comemos e bebemos demais, mas não sentimos o gosto de nada. Tudo tem que ser prazeroso, caso sintamos diferente, somos levados a pensar que estamos deprimidos. Precisamos ser assaltados por tragédias coletivas (e até pessoais) para que tenhamos um momento, ao menos, de reflexão. Contudo, a nossa reflexão fica enevoada pelas impressões sensacionalistas da imprensa que apenas tem por objetivo vender mais e, por tabela, nos fazer consumir mais e pensar de menos.

A Páscoa é um momento interessante para a reflexão. Originalmente, a Páscoa é uma celebração judaica, a celebração da libertação do povo judeu. A Páscoa cristã também tem uma conotação de libertação, só que é a libertação da alma humana. É a possibilidade que temos de conquistar uma nova vida. Jesus não morreu para nos salvar. Ele viveu para nos mostrar que é possível melhorar sempre, que não há morte, pois somos seres espirituais. Contudo, Ele deixou claro em muitas passagens que não há salvação sem a nossa reforma íntima.

Precisamos ser pessoas melhores, mas não apenas no discurso. Precisamos exercer a máxima do Cristo: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Nada mais singelo e eficaz para alcançar a salvação. A seguir, compartilho um texto muito bonito que li. Uma boa Páscoa!

Poema que compromete
Lourenço Diaféria - 20/04/2011

“O Evangelho é um texto subversivo. Ele subverte o mundo na medida em que ousa outorgar à criatura humana – com suas fraquezas, seu orgulho, seu medo – a corresponsabilidade pela morte e ressurreição de todas as esperanças. Ou mais incrivelmente: da Esperança Total.

E todavia o Evangelho não é feito de frases de efeito. Nenhuma retórica. O Sermão da Montanha, patrimônio comum e síntese das aspirações que têm sido desfraldadas sob bandeiras as mais diversas, é de uma sobriedade e despojamento perfeitamente acabados e irretocáveis. No entanto, suas palavras não exigem mais de cinco minutos dos ouvintes.

O Evangelho trata de um homem de Nazaré. Nazaré: menos que um ponto imperceptível em um mundo conflagrado, onde as armas e as fortalezas e os conluios tinham o mesmo peso de sempre. Nazaré de uma época de sedições e de homens que pregavam no deserto. E que tinham a cabeça arrancada. Nazaré de um tempo em que os que tinham o poder de decisão submetiam-se a pressões ou exercitavam a pressão, julgando fazer política ao lavar as mãos. Mudou alguma coisa?

O Evangelho trata de um homem de vida curta, previstamente curta, que sabia do fim e do começo. Um homem que suava sangue diante da violência que se consumava, e aceitava o beijo, as fugas, a perplexidade e as dúvidas de seus amigos. E dava-lhes, contudo, a certeza de que nada seria em vão. Ele permaneceria, além do sofrimento e da morte. Acolhia as crianças, deixava que elas brincassem e atrapalhassem suas conversas. Pedia a uma mulher que lhe desse um copo d´água. Chorava e sorria. Para espanto dos teólogos e dos filósofos, preferiu que a verdade continuasse a ser uma pergunta a ser respondida por cada um – na medida em que cada um a busque com sinceridade. E não se lançou do pináculo do templo da tentação de definir o que está além e fora de todas as coisas e causas. Ensinou apenas que os homens se dirijam a Deus assim: Pai Nosso, o pão nosso dai-nos hoje. Subversão total. Não mais sarças ardentes, nada de trovões, nada de mares se abrindo. A humanidade inteira transformada em povo eleito.

O Evangelho é isto: a boa nova, o gesto, a descoberta. Um poema que compromete”.